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28 de maio de 2011

Autistas podem ser recuperados

Autismo é uma denominação dada a um conjunto de comportamentos derivados de um desenvolvimento.
 
CASOS NO MUNDO - No Brasil, país com uma população de cerca de 190 milhões de pessoas, estima- se que haja cerca de um milhão de casos de autismo, segundo um projeto do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Mariana não tem noção do número de famílias brasileiras que já se trataram por meio do Son-Rise. Ela sabe que, no mundo inteiro, dezenas de milhares de crianças e adultos participaram do programa. Os recentes números de estatísticas do autismo entre a população dos Estados Unidos e da Europa apontam para a existência de uma epidemia atual do autismo, com os números nacionais nos EUA saltando de 1 em cada 2.500 pessoas na década de 90, para 1 caso de autismo em cada 150 pessoas em 2007. 

Patrícia Machado(18) 3636-7742
aracatuba@folhadaregiao.com.br 


FLORESCER DO FILHO - Hoje, inúmeras crianças e adultos conseguem  a recuperação por meio do Son-Rise simplesmente porque esse programa foi criado por um casal americano que, diante do diagnóstico de autismo de grau severo do filho e das dificuldades de tratamento, resolveu cuidar da criança e resgatá-la ao mundo real.
Os princípios do programa Son-Rise tornam-se ainda mais efetivos quando integrados ao dia-a-dia da criança. Eventos diários, como as refeições, os hábitos de higiene e a hora de dormir representam ótimas oportunidades para encorajar o desenvolvimento social. Muitas crianças com autismo também necessitam de um ambiente especialmente construído para auxiliar na aceleração do aprendizado. Os pais aprendem, por meio do curso desenvolvido pelo Son-Rise, a criar um quarto de brincar específico para as atividades com o filho. Cada ambiente familiar é diferente, mas é necessário impor dois princípios para que o quarto dê resultado: poucas distrações sensoriais e o controle máximo. O ideal é escolher um quarto silencioso, longe das principais atividades da casa ou das distrações vindas de fora da casa. Os pais são orientados a retirarem alguns móveis, a pintar as paredes de branco, colocar piso confortável, lâmpadas incandescentes, providenciar equipamentos como um  pequeno escorregador ou duas grandes bolas de fisioterapia, manter o quarto livre de qualquer brinquedo eletrônico, escolher brinquedos como bichos de pelúcia, fantoches, fantasias, instrumentos musicais e blocos de montar.  Além do ambiente de aprendizagem otimizado, os pais aprendem técnicas que podem ser implementadas para inspirar a criança em áreas fundamentais do desenvolvimento, como passar 30 minutos por dia com a criança; juntar-se à criança, como uma maneira de entender e construir uma relação ais profunda com ela, fazendo exatamente o que ela está  fazendo, e concentrar-se para divertir no mundo dela; e concentrar-se também no contato visual, pois quanto mais a criança olhar, mais ela aprenderá. O contato visual é de fundamental importância para todos os aprendizados futuros. 
Para aqueles que não acreditam, o autismo, uma desordem neurológica e metabólica da criança, que leva o déficit em quatro grandes áreas do cérebro: a interação, comunicação verbal, contato visual e flexibilidade, pode ter cura sim. Prova disso, são os excelentes resultados obtidos por meio do programa Son-Rise, desenvolvido no Centro de Tratamento do Autismo na América, em Massachusetts, EUA, e lançado no Brasil há cerca de quatro meses. O programa é intermediado pela instituição brasileira Inspirados pelo Autismo, que auxilia os próprios pais a tratarem de seus filhos autistas. No Son-Rise, os pais são as  melhores fontes de apoio para os filhos, por isso, se capacitam por meio de cursos e workshops da área com o intuito de aprender a entrar no mundo da criança, amorosamente, de forma divertida e sem julgamento. A diretora da Inspirados pelo Autismo, Mariana Tolezani, que também é facilitadora infantil certificada pelo Programa Son-Rise, deu entrevista à Folha da Região na terça-feira (29) e afirmou que existe esperança de cura para os autistas. "Já vi e presenciei muitos casos de crianças com grau severo de autismo que foram recuperadas. O que importa nesse tratamento é a interação dos pais com a criança. A beleza do programa é o respeito ao tempo, a paciência e o prazer de se conectar com o mundo do autista", contou.
 

QUARTO DE BRINCAR -
Os fundadores do programa, ouviram dos especialistas que não havia esperança de recuperação para seu filho Raun. Porém, decidiram acreditar na ilimitada capacidade humana para a cura e o desenvolvimento, e puseram-se à procura de uma maneira de aproximar-se de Raun - que se encontrava em estado de total isolamento. Foi a partir da experimentação criativa e amorosa com o filho que eles desenvolveram o programa Son-Rise. Por que Son-Rise? Mariana explica que a sigla é um trocadilho: significa o nascer do sol, mas nesse caso, é reconhecida como o florescer do filho. Raun Kaufman se recuperou do autismo após três anos e meio de trabalho intensivo com seus pais. Ele continuou a se desenvolver de maneira típica, cursou universidade altamente conceituada e hoje é professor dos cursos aplicados no Centro de Tratamento de Autismo na América. "Ele foi meu professor nos Estados Unidos", completou a facilitadora. Desde a recuperação de Raun, milhares de crianças do mundo inteiro, utilizando o programa Son-Rise têm se desenvolvido muito além das expectativas convencionais, algumas delas apresentando total recuperação do autismo. Mariana explicou que os métodos desenvolvidos pelos facilitadores, e posteriormente ensinados aos pais, giram em torno da brincadeira com a criança. Por exemplo, se o autista passa a maior parte do tempo batendo uma colher no chão, eles fazem a mesma coisa; se ele grita, os facilitadores gritam também, pois dessa maneira, a criança acaba percebendo que não está sozinha em seu mundo e começa a se comunicar com a outra pessoa.
Há evidências de que esta diferença  neurológica esteja presente desde o nascimento ou até um período anterior. No entanto, os comportamentos observados - por meio dos quais a síndrome é diagnosticada - tendem a ser apenas detectáveis a partir dos 18 meses de idade. Dados do programa Son-Rise alertam que o autismo é freqüentemente referido como TEA (Transtorno do Espectro  utista), nomenclatura  que indica uma ampla variação na sintomatologia. Crianças com os diagnósticos de PDD (Transtorno Global do Desenvolvimento), PDD-NOS (Transtorno Global Não specificado do Desenvolvimento) ou Síndrome de Asperger tendem a exibir comportamentos similares em um nível moderado. Um autista pode ser superdotado ou ter deficiência mental. Ser um exímio pianista ou não ter qualquer controle do movimento das mãos. Incapaz de pronunciar uma palavra ou demonstrar total domínio as regras gramaticais. Por isso, hoje não se fala mais tanto emautismo, e sim em espectro autista. O espectro abrange uma série de distúrbios que vão do autismo clássico, com retardo mental, à síndrome de Asperger, uma forma branda muitas vezes associada a um Q.I. muito acima da média. Pesquisas científicas de estudo da síndrome têm sido desenvolvidas em diversos países, mas a comunidade científica ainda não  chegou a um consenso em relação  as causas do autismo, síndrome que atinge indivíduos de ambos os sexos e de todas as etnias e classes sociais.
Já vi e presenciei muitos casos de crianças com grau severo de autismo que foram recuperadas. O que importa nesse tratamento é a interação dos pais com a criança. A beleza do programa é o respeito ao tempo, a paciência e o prazer de se conectar com o mundo do autista Monique Bueno.

monique.bueno@folhadaregiao.com.br

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