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27 de maio de 2011

Brincadeira influencia aprendizagem de crianças autistas


A especialista Bryna Siegel destacou hoje, no Porto, a importância da brincadeira para a aprendizagem das crianças autistas, que aprendem «com maior facilidade, se estiverem em contacto com objectos que gostam».
Bryna Siegel, autora do livro «O mundo da criança com autismo – Compreender e tratar perturbações do espectro do autismo», caracterizou o comportamento dos autistas e apresentou várias técnicas que os pais e educadores podem implementar durante a aprendizagem das crianças.
«Sem a brincadeira, não há bases para a aprendizagem. Embora as crianças autistas não brinquem com os brinquedos da mesma forma que as outras crianças, aprendem com maior facilidade, se estiverem em contacto com objectos que gostam», afirmou Bryna Siegel, especialista em autismo, da Universidade da Califórnia.
Bryna Siegel relatou uma situação em que uma criança normal brinca com um camião, enquanto uma criança autista «coloca todos os camiões numa fileira simétrica e analisa cada detalhe do brinquedo».
De acordo com Siegel, através da repetição das palavras e da pronúncia feita num tom de voz mais elevado, as crianças com deficiência social podem aprendem os nomes das cores, dos números, das partes do corpo, horas e datas.
«As crianças com autismo repetem tudo o que ouvem, mas não conseguem compreender o significado de cada palavra», explicou a investigadora.
Bryna Siegel disse ainda que os autistas compreendem «mais facilmente substantivos do que os verbos, porque fazem a relação com as coisas que vêem» e que os educadores devem utilizar fotografias para levá-los a pensar sobre o objecto.
«Muitos deles têm boa memória fotográfica e processual, sendo capazes de montar um quebra-cabeça com as imagens viradas para baixo», disse a especialista.
Siegel explicou que a criança autista tem a tendência a não estar consciente dos sentimentos das outras pessoas e apresentam problemas de comunicação.
«Embora as crianças não falem, podem fazer-se entender. Conseguem brincar e relacionar-se com crianças normais e com as que falam outras língua, através da linguagem não-verbal», afirmou a investigadora.
Bryna Siegel disse que «por não ter uma linguagem verbal, a criança autista apresenta uma dificuldade acentuada em iniciar uma conversa com outras crianças, mas consegue utilizar a linguagem quando precisa de alguma coisa, o que é conhecido como linguagem instrumental».
Referiu também que «a criança autista é capaz de compreender que um sorriso e um aceno de cabeça podem ter significados positivos, que remetem a uma acção correcta».
«Mas a criança que não compreende o gesto, não compreende o funcionamento da mente, por isso nem sempre pede ajuda porque não têm consciência de que os outros conseguem interpretar o mundo à sua volta», frisou Siegel.
Bryna Siegel é directora da Clínica para o Autismo e professora de psiquiatria na Universidade da Califórnia, em São Francisco.
Na sua obra, «O mundo da criança com autismo – Compreender e tratar perturbações do espectro do autismo», descreve o que designa por «comportamentalismo desenvolvimental», que está na base do tratamento de dificuldades específicas do autismo no campo da percepção, do processamento e da recuperação da informação.
O seu projecto mais recente, Jump Start, consiste num «modelo para ajudar crianças com autismo a aprenderem a aprender e ajudar os pais a integrarem serviços da escola e da casa».
Fonte: Diário Digital / Lusa.

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