Translate

9 de junho de 2011

Método padovan

Fonte: Revista Autismo
por Paiva Júnior
A professora Iolanda Bezerra Costa, fonoaudióloga e terapeuta neurofuncional, afirma ser uma “discípula” de Beatriz Alves de Edmir Padovan – ou somente Beatriz Padovan, como é conhecida a baiana que, na década de 1970, criou o Método Padovan de Reorganização Neurofuncional. A aplicação deste método estimula o Sistema Nervoso Central e o Periférico (e, consequentemente, todos os outros sistemas que deles dependem), através de exercícios corporais passivos ou ativos que recapitulam os movimentos neuroevolutivos da marcha-deslocamento, das mãos, dos olhos e das funções orais reflexas, estimula-se a uma reorganização neurofuncional e consequentemente um fortalecimento de todo o sistema nervoso, promovendo uma possibilidade de maior eficácia, operacionalidade e funcionamento do indivíduo face a si mesmo e ao ambiente ao qual deve adaptar-se constantemente. Esses exercícios, que lembram os movimentos naturais do bebê – desde o útero até o andar (pedalar ou espernear, rolar, rastejar, engatinhar, sentar e andar) –, quando aplicados respeitando-se sua sequência natural, promovem grandes benefícios em todos os quadros de falhas no desenvolvimento normal do ser humano, inclusive no autismo.
Iolanda Costa atualmente é coordenadora do Centro Carioca do Método Padovan (Cecamp), na cidade do Rio de Janeiro, e supervisiona a aplicação do método em várias cidades brasileiras e também no exterior, como Marrocos e França.
Em entrevista à Revista Autismo, Iolanda, que também é especialista em Disfagia pelo Método Padovan, contou um pouco sobre sua experiência profissional na aplicação do método nos casos de autismo.

ENTREVISTA

Revista Autismo – Como o Método Padovan pode ajudar no tratamento do autismo?

Iolanda Costa – Para nós, terapeutas e discípulas Padovan, não é a falta de cuidados maternos que faz com que uma criança se torne autista. Muito já se disse sobre isso para os pais, e, para eles, têm sido motivo de grande tristeza serem responsabilizados pelo quadro de autismo dos filhos, o que não é verdadeiro. O certo é que o indivíduo autista tem grandes alterações nas suas percepções sensoriais. Podemos exemplificar de forma simples: o autista enxerga bem e não nos vê; escuta bem, mas não nos ouve; pode falar e não nos diz nada; e pode também ter uma grande alteração no sentido do movimento (sentir necessidade de estar com brinquedos que giram, por exemplo). Até mesmo o sentido do tato pode estar alterado, e muitos, quando se machucam, parecem não sentir nada. Alguns deles até se auto-agridem, sem demonstrar qualquer tipo de expressão facial de dor.
Utilizando o Método Padovan, nós estaremos fortalecendo o sistema nervoso como um todo e, consequentemente, promovendo o equilíbrio entre todos os sentidos. Equilíbrio sim, porque muitos dos sentidos podem estar debilitados e outros exacerbados. Temos como um dos princípios básicos o respeito à sequência dos movimentos da neuroevolução natural, que deve ser seguida e respeitada. Esses movimentos corporais que aplicamos são os mesmos que qualquer ser humano usa para se desenvolver durante seu primeiro ano de vida, estão na memória genética das células nervosas e dependem da maturação do Sistema Nervoso Central.
As funções reflexo-vegetativas orais, que também são estimuladas na terapia Padovan, são quatro: sugar, mastigar, respirar e deglutir. Elas são consideradas funções pré-linguísticas, ou seja, todos nós dependemos de que elas estejam fortalecidas e sincronizadas entre si para que a fala articulada se efetue adequadamente. O que fazemos de maneira natural, e sem nos deter nos sintomas, é apenas reorganizar, recapitular, o processo da neuroevolução através dos movimentos, que são inerentes à própria evolução humana.

RA – Há casos de alta (ou recuperação) de pessoas com autismo submetidas ao Método Padovan?
IC – Temos inúmeros casos de crianças e jovens que conseguiram superar todas as suas dificuldades e hoje estão completamente inseridos na sociedade, tendo um comportamento adequado. Isso tem ocorrido tanto no Brasil quanto no exterior. Houve até um caso de um menino com autismo grave que se recuperou a ponto de conseguir se formar em uma faculdade. As primeiras mudanças que pude observar na minha prática clínica, nos casos das crianças portadoras de autismo, foram o início do contato visual, a melhora na qualidade do sono e a aceitação de convívio social.

RA – Qual a ligação do Método com a Fonoaudiologia?
IC – Beatriz é graduada em Fonoaudiologia. Durante muitos anos foi pedagoga Waldorf e, desde que criou seu próprio método, não utiliza as técnicas fonoaudiológicas acadêmicas convencionais. Hoje em dia, diversos profissionais da área da saúde (tanto no Brasil como no exterior) se dedicam à aplicação do Método Padovan. Além de fonoaudiólogos, temos psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e até médicos e dentistas. A procura pela formação no Método Padovan tem sido cada vez maior, principalmente no exterior (Alemanha, Áustria, Espanha, França, Grécia, Suíça, Canadá, Índia, Marrocos e Tunísia), onde Beatriz e sua filha, a médica Sônia Padovan Catenne, ministram vários cursos. Essa procura pela formação iniciou-se em 1979, em Stuttgart (Alemanha), a convite do médico Otto Wolf, após ter assistido uma palestra sobre o método em São Paulo.

RA – Os pais podem aplicar o Método ou fazer algo que contribua em casa?
IC – Os pais, quando bem orientados por profissionais Padovan, são nossos maiores colaboradores. Normalmente não são solicitados exercícios para serem realizados em casa, mas, durante o atendimento com o profissional, é muito importante a ajuda e participação dos pais, sempre que estiverem disponíveis para isso. A criança nunca é tratada afastada dos pais, nunca se trabalha de portas fechadas, e toda a atuação pode e deve ser observada pelos familiares.
Neste mês, estou sendo chamada para ir à Tunísia, para também tratar, dar supervisão e orientar o tratamento do autismo, com crianças e jovens atendidos exclusivamente com o Método Padovan.

RA – Como posso encontrar um profissional que aplique o método em minha cidade ou próximo?
IC - Em São Paulo, nas Clínicas Padovan (www.padovan.pro.br), existe um cadastro dos profissionais que receberam formação e que se mantém atualizados na aplicação do Método Padovan.

Iolanda Bezerra Costa atende no Centro Carioca do Método Padovan (Cecamp, www.cecamp.net) e seu e-mail é iolanda.cecamp@gmail.com Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

6 comentários:

Maria disse...

Eu já tinha lido essa entrevista, e muito antes uma grande amiga me aconselhou a brincadeira como estimulo, foi uma das melhores coisas que fiz. Hoje meu filho sabe pular corda ( isso requer muitas habilidades)e adora as clases de educaçao fisica, sao os dias em que vais mais contento para a escola.
Parabéns pelo post!

Maria disse...

Michella, eu nao fiz terapia com o método Pandovan.Meu filho faz nataçao. Você conhece alguém que fez?

Maria disse...

me alegro muito por ti!

Mariana disse...

tenho uma sobrinha que nao e autista, mas els tinha grande problemas no aprendizado e fez por 3 anos essa terapia e conseguiu resultados maravilhosos.

Mariana disse...

tenho uma sobrinha que nao e autista, mas els tinha grande problemas no aprendizado e fez por 3 anos essa terapia e conseguiu resultados maravilhosos.

Anônimo disse...

Olá! Será que alguém pode me informar onde encontrar uma Fonoaudióloga em Minas Gerais que trabalhe com esse método? Tenho uma filha de 3 anos no espectro autista que já faz terapia com esse método, e gostaria de dar continuidade... Meu e-mail: nizelba@hotmail.com. Fico muito grata a quem puder me ajudar!

 
Desenvolvido por MeteoraDesign.Blogspot.com | Contato