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29 de dezembro de 2011

ENTREVISTA: TEMPLE GRANDIN POR TONY ATTWOOD

Dr. Tony Attwood


Tony: Temple, você foi diagnosticada como autista aos quinze anos de idade. Como os seus pais contaram a você e como você se sentiu com esta notícia?

Temple: Bem, eles nunca me explicaram muito bem. Eu meio que descobri através de minha tia. Você tem que lembrar que eu tenho 53 anos e aquela era uma era freudiana, uma época muito diferente.


Na verdade, eu fiquei aliviada quando descobri que havia algo de errado comigo. Pude entender porque eu não me entrosava com o pessoal da escola e porque eu não entendia algumas coisas que os adolescentes faziam – como minha colega de quarto que gritava quando via os Beatles num show de televisão. Eu pensava, é...Ringo é bonito mas eu não rolaria no chão por ele...

Tony: Então, atualmente, se você precisasse explicar para um jovem de 14 ou 15 anos : você tem autismo ou Síndrome de Asperger, como você diria?

Temple: Eu acho que eu diria para ele ler o meu livro ou o seu...


Bem, eu provavelmente explicaria de maneira técnica, que é um atraso no desenvolvimento do cérebro que interfere com a interação social.


Eu sou basicamente uma pessoa técnica – este é o tipo de pessoa que eu sou. Eu quero consertar as coisas. Com a maioria das coisas que eu faço, eu tenho a visão do engenheiro. Minhas emoções são simples. Eu tenho satisfação ao realizar um bom trabalho. Eu tenho satisfação quando um pai chega e me diz ”li seu livro e ele realmente ajudou meu filho na escola”. Eu tenho satisfação como o que eu faço.

Tony: Parece que quando você era muito peqena e muito autista, você gostava de alguns comportamentos autísticos. Quais eram eles?

Temple: Uma das coisas que eu fazia era deixar a areia escorrer entre os meus dedos , observando e estudando cada partícula como um cientista através de um microscópio. Quando eu fazia aquilo eu me desligava do mundo.


Sabe, eu acho que é legal uma pessoa autista fazer isso às vezes porque é calmante. Mas se fizer todos os dias, não vai se desenvolver. As pesquisas de Lovaas mostraram que as crianças precisam estar conectadas com o mundo por 40 horas semanais. Eu não concordo que estas 40 horas precisem ser cumpridas sentada à mesa. Mas eu ficava conectada por 40 horas semanais. Eu tinha uma hora e meia de “Moça Educada”, quando eu precisava me comportar às refeições. A babá brincava comigo e com minha irmã uma série de brincadeiras e jogos infantis. Eu tinha atendimento fonoaudiológico todos os dias... estas coisas foram muito importantes para o meu desenvolvimento.

Tony: Ainda há pouco você usou a palavra “calmante”. Um dos problemas de algumas pessoas com Autismo ou Asperger é controlar seu humor. Como você controla o seu?

Temple: Quando eu era criança, se eu tivesse uma “crise de birra” na escola, minha mãe apenas dizia: “Você não vai assistir TV esta noite.”


Eu freqüentava uma escola regular – 12 crianças na turma. Havia uma parceria entre escola e casa. Eu sabia que não podia jogar minha mãe contra meus professore ou vice-versa. Para mim, bastava saber que se eu tivesse uma crise , não assistiria meu programa favorito naquela noite.


Quando eu estava no ginásio e as crianças implicavam comigo, eu entrei em brigas sérias. E fui expulsa da escola - não foi nada agradável.


Mais tarde, quando entrei em brigas no colégio interno, eles cortaram a equitação. E como eu queria andar a cavalo nunca mais briguei. Foi simples assim.

Tony: Mas, cá entre nós, com quem você brigava? Você ganhava?


Temple: Bom... eu geralmente ganhava...

Tony: Você lutava com meninos ou meninas?

Temple: Tanto faz – quem implicasse comigo.

Tony: Então você batia nos meninos...

Temple: Ah, eu me lembro uma vez que dei um soco mum menino na lanchonete...


Quando a briga acabava, eu chorava. Era a minha maneira de aliviar a tensão. É o que acontece agora, eu só choro, para prevenir as brigas. Eu também evito situações onde as pessoas começam a se irritar. Eu me afasto.

Tony: Eu gostaria de fazer uma pergunta técnica. Se você tivesse $10 milhões para pesquisa , você apoiaria pesquisas em andamento ou investiria em uma nova área?


Temple: Uma das áreas onde eu gastaria este dinheiro seria para tentar descobrir o que causa os problemas sensoriais. Eu sei que não é o déficit central do autismo, mas é algo que dificulta muito o funcionamento das pessoas com autismo.


Uma outra coisa ruim, especialmente para as pessoas de alto funcionamento, é que quanto mais velhos, mais ansiosos. Mesmo tomando Prozac ou outra coisa, são tão ansiosos que é muito difícil “funcionar”. Gostaria que houvesse uma outra maneira de controlar isso que não fosse dopá-los completamente.


Então levantaríamos questões como, deveríamos prevenir o autismo? Fico preocupada com isso porque se eliminássemos totalmente os gens que causam o autismo, estaríamos eliminando muitas pessoas talentosas, como Einstein. Eu acho que a vida é um contínuo – do normal para o anormal.


Afinal, as pessoas realmente sociais não são as mesmas que desenvolvem os computadores, ou as plantas de instalações elétricas, ou constroem enormes hotéis, como este. As pessoas sociais se ocupam interagindo.

Tony: Então você não usaria a verba para acabar com a Síndrome de Asperger. Você não a vê como uma tragédia?

Temple: Bem, seria bom acabar com o que causa a deficiência severa, se houvesse uma maneira de preservar alguns traços genéticos. Mas o problema é que existem uma porção de genes diferentes interagindo. Se você recebe poucos traços, é bom, mas se são muitos, é ruim. Parece que depende do funcionamento genético.


Aprendi trabalhando com animais que quando os criadores selecionam um determinado traço, outros traços ruins vêm junto. Por exemplo: na avicultura, selecionaram engorda rápida e muita carne, mas tiveram problemas porque o esqueleto não era forte o suficiente. Então criaram um esqueleto forte. E tiveram uma grande e desagradável surpresa, com que não contavam : acabaram com galos que atacavam e matavam as galinhas. Porque as pernas mais fortes acabaram com o comportamento normal do galo durante a corte.


Quem poderia prever este problema ? É assim que a genética funciona.

Tony: Temple, uma das suas características é que você faz as pessoas rirem. Acho que às vezes não é a sua intenção, mas você tem esse dom. O que te faz rir? Como é o seu senso de humor?

Temple: Bem , prá começar, meu senso de humor baseia-se no visual. Quando eu estava te falando das galinhas, eu via imagens. Uma vez eu estava no departamento de conferência na universidade e havia fotos dos diretores antigos, em molduras de madeiras, pesadas e grossas.


Olhei para elas e pensei: “Oh, galos emoldurados!”


Numa outra reunião na faculdade, quando eu olhei para elas tive vontade de dar uma gargalhada. Isto é humor visual.

Tony: Isto explica porque ás vezes você cai na gargalhada e as outras pessoas não fazem a menor idéia do que está acontecendo...

Temple: É isso mesmo, eu estou vendo uma imagem mental de algo que é engraçado...

Tony: Sobre a sua família: sua mãe foi muito importante na sua vida. Que tipo de pessoa ela era? O que ela fez, pessoalmente, que te ajudou?

Temple: Para começar, ela não me internou. É preciso lembrar que isto foi há 50 anos e todos os profissionais recomendaram que eu fosse internada. Minha mãe me levou a um neurologista muito bom que recomendou fonoaudiologia e jardim de infância. Isto foi um golpe de sorte. Era um Jardim na casa de duas professoras, que sabiam como trabalhar com crianças. Eram seis crianças e nem todas eram autistas. Minha mãe também contratou uma babá, quando eu tinha três anos, que tinha experiência com crianças autistas. Eu tenho a impressão que ela mesma talvez fosse Asperger porque em seu quarto havia um banco de automóvel, retirado de um jeep velho – era sua cadeira predileta...

Tony: De que outra maneira a pessoa que a sua mãe era te ajudou?

Temple: Bem, ela trabalhava muito comigo. Encorajava meu interesse por artes, desenhando comigo. Ela havia trabalhado como jornalista, num documentário sobre pessoas com retardo mental e num outro programa para TV sobre crianças com distúrbios emocionais.


Como jornalista ela havia visitado muitas escolas. Então quando eu me meti em confusão na nona série, por ter jogado um livro numa menina – eu fui expulsa e tivemos que encontrar outra escola . Ela encontrou um colégio interno que havia visitado como jornalista. Se ela não tivesse feito isso por mim, eu não sei o que teria acontecido. Quando eu cheguei lá, foi que eu encontrei pessoas como meu professor de Ciências e minha tia Ana, lá no rancho, que foi outra mentora importante para mim. Mas muitas pessoas me ajudaram pelo caminho.

Tony: E o seu pai? Descreva seu pai e seu avô.


Temple: Meu avô por parte de mãe inventou o piloto automático para aviões. Era muito tímido e quieto. Não era muito sociável. Do lado da família do meu pai , a gente encontra problemas de humor. Ele não achava que eu chegaria muitolonge. Também não era muito sociável.


Tony: Como você relaxa? Como se acalma no final do dia?

Temple: Antes de tomar medicação, eu costumava assistir Jornada nas Estrelas. Era fã. Uma coisa que eu gostava, especialmente nas séries antigas, eram os princípios morais. Fico preocupada hoje em dia com a violência. O problema com os filmes não é o número de armas , mas é que o herói não tem valores morais positivos. Quando eu era criança o Super Homem ou o Cavaleiro Solitário nunca faziam nada que fosse errado. Hoje, o herói faz coisas como jogar a mulher na água ou permite que ela leve um tiro. O herói deveria proteger.


Atualmente você não tem valores bem definidos. E isto me preocupa porque minha moral é determinada pela lógica. E não sei quais seriam os meus valores se eu não tivesse assistido todos aqueles programas com princípios morais tão bem definidos.

Tony: Como você acha que estará a nossa compreensão do a utismo daqui a cem anos?

Temple: Ah, não sei... A engenharia genética provavelmente estará muito avançada e teremos um programa Windows 3000 “Faça uma pessoa”. Eles saberão ler o código DNA até lá, o que não se faz hoje. Os cientistas podem manipular o DNA – tirar ou por – mas não podem ler as cadeias. Daqui a cem anos eles farão isto. E eu acredito que ao menos os casos severos de autismo desaparecerão porque seremos capazes de manipular totalmente o DNA.

Tony: Atualmente existem algumas autobiografias de pessoas com Autismo ou Sídrome de Asperger. Quais são os seus heróis no campo do Autismo ou Síndrome de Asperger, pessoas que tem estes diagnosticos?

Temple: Eu admiro as pessoas que alcançam sucesso. Há uma senhora chamada Sara Miller que programa computadores industriais. Hoje há outra senhora aqui, muito bem vestida, que conduz seu próprio negócio de jóias, e me disse ter Asperger. Pessoas assim são meus heróis. Alguém que se supera e vai lá e realiza coisas.

Tony: E quanto às pessoas famosas da história, quem você diria ter Autismo ou Síndrome de Asperger?

Temple: Penso que Einstein tinha uma série de traços autísticos. Ele não falou até os três anos de idade – eu escrevi todo um capítulo sobre ele no meu último livro. Acho que Thomas Jefferson também tinha uns traços Asperger. Bill Gates tem uma memória fantástica. Li um artigo em que o autor cita que em criança ele memorizou todo o Torah.


É um contínuo. Não há uma linha divisória entre o fanático por computador e , digamos, uma pessoa asperger. Eles se misturam. Por isto, se você acabar com os gens que causam o autismo, talvez haja um alto preço a ser pago. Anos atrás, um cientista em Massachusetts disse que se você acabasse com todos os gens que causam os distúrbios sobrariam apenas os burocratas ressequidos!



Tony abriu a entrevista para a audiência Uma das melhores:


Como você percebeu que tinha o controle de sua vida?

Temple: Eu não era uma boa aluna na época do ginásio. Eu ficava com a cabeça no mundo da lua. Por pensar visualmente, precisei usar portas como um simbolismo – uma porta material que eu atravessava – simbolizando a minha passagem para a próxima fase da minha vida. Quando você pensa visualmente e não possui muitas experiências anteriores no disco rígido, você precisa ter algo para usar como mapa visual.


Meu professor de Ciências conseguiu me motivar em diferentes projetos e eu percebi que se quisesse entrar na faculadde e me tornar uma cientista teria que estudar. Bem, um dia eu atravessei essa porta e disse “ OK, eu vou tentar prestar atenção na aula de Francês.”


Mas houve um momento em que eu percebi a necessidade de fazer algo sobre o meu comportamento. E vivi situações que não foram nada fáceis. Alguns mentores me forçaram - e isto nem sempre foi agradável – mas eles me forçaram a perceber que eu precisava mudar o meu comportamento. Eu não podia continuar a ser uma inútil. Eu precisava mudar aquilo.


Acho que li num dos primeiros artigos sobre o autismo, de Kanner, que a pessoa autista que finalmente alcança o sucesso, percebe que precisa trabalhar ativamente o seu comportamento. Não adianta ficar sentado reclamando das coisas. É preciso tentar mudar as coisas. Bons mentores podem te ajudar a fazer isso.


Temple escreveu dois livros sobre autismo: Emergence: Labeled Autistic and Thinking in Pictures. Ela é conhecida mundialmente por suas conferências sobre os transtornos do espectro autista. Tony Attwood é psicólogo clínico, na Austrália, especializado na Síndrome de Asperger e se tornou um dos maiores especialistas do assunto. Freqüentemente realiza palestras nos Estados Unidos e é o autor de Asperger’s Syndrome: A Guide for Parents and Professionals.

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro-Fevereiro de 2000 do Autism Asperger’s Digest publicação de Future Horizons.


Para mais informações :http://www.autismdigest.com/


Ed. Note: Esta entrevista foi gravada em 9 de dezembro de 1999, num seminário em São Francisco, California. A audiência adorou quando Temple revelou alguns fatos muitas vezes engraçados de sua vida pessoal. Ver Temple rir de si mesma foi uma oportunidade rara... Divirta-se!
Tradução de Mônica Accioly

MÚSICA ESTIMULA COMUNICAÇÃO DE AUTISTAS COM O MUNDO

Folha Online

A área de atuação do musicoterapeuta é diversificada.
Pode se dedicar a autistas, deficientes mentais, pessoas com distúrbios neurológicos,
empresas, escolas ou meninos de rua.

A musicoterapia aplicada em autistas tem dado resultados positivos. A música é a única ponte de comunicação possível para os portadores deste tipo de transtorno neurológico.
Nesses pacientes, a música não verbalizada é decodificada no hemisfério direito do cérebro (subjetivo e emotivo). Ela se move até o centro de respostas emotivas, localizado no hipotálamo, e passa para o córtex (responsável pelos estímulos motores e do intelecto).
Os sons verbais, no entanto, não "funcionam" dessa forma porque são registrados no hemisfério esquerdo, na região cortical (analítica e lógica) diretamente do aparelho auditivo. Em resumo, no autista, a música atinge em primeiro lugar a emoção para depois passar para reações físicas, como o batucar, por exemplo, nas pessoas normais. Dessa forma, o autista consegue interagir com o terapeuta. Pacientes que sofreram lesão do lado direito do cérebro, podem ter a percepção melódica comprometida. O tratamento com musicoterapia, nesse caso, utiliza estímulos sonoros nas adjacências da área lesada, que criará novas conexões cerebrais.
Em casos com pacientes em coma, os resultados também foram bons. Com fones de ouvido, o paciente ouve fitas gravadas com vozes das pessoas queridas, músicas preferidas, sons da casa e da natureza. Os depoimentos de pessoas que saíram do coma confirmaram o auxílio da musicoterapia: elas tinham as lembranças reavivadas com os sons, o que motivava o indivíduo a viver.
A terapia também atua em hospitais, principalmente no auxílio a crianças emocionalmente instáveis, portadoras de doenças graves. Crianças que desenvolveram câncer, por exemplo, fazem uma sessão de musicoterapia antes de serem "bombardeadas" pela quimioterapia.
Na área social, há iniciativas com meninos de rua que visam trabalhar a auto-estima, aumentar a confiança e ensinar a se autovalorizem. (Jorge Blat)


Fontes: Maristela Pires da Cruz Smith, presidente da Associação de Profissionais e Estudantes de Musicoterapia do Estado de São Paulo, e Conceição Rossi, musicoterapeuta e terapeuta holística da Endocrino-Clínica de São Paulo.

28 de dezembro de 2011

CLIP - O Brasil precisa conhecer o autismo

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=i0HF20JCCL0

Globo Reporter - Temple Grandin

Escrito por Mundo Asperger

Mulher consegue vencer autismo com máquina do abraço nos EUA. Temple Grandin nasceu com autismo grave. Em uma época na fazenda, a partir da vacinação das vacas, ela criou a máquina do abraço. Hoje, ela tem pós-doutorado em veterinária e já consegue abraçar algumas pessoas. Na infância, o mundo externo era um enigma. "Quando eu tinha 3 anos, não conseguia falar nada. Eu me sentava e balançava, gritava, não olhava nos olhos de ninguém", conta a veterinária Temple Grandin. O pai queria que ela fosse internada em uma instituição psiquiátrica. Temple Grandin recebeu o diagnóstico: autismo grave. O autismo é uma doença neurológica que causa dificuldades severas de comunicação, relações sociais e comportamento.
A infância e a adolescência foram muito difíceis, tendo que lidar com medo e a ansiedade, os sintomas do autismo, até que Temple Grandin foi levada para passar uma temporada em uma fazenda. Convivendo com os animais, ela entendeu que pensava de forma diferente.
"Eu me interessei por cavalos e, convivendo com eles, entendi que o meu jeito de pensar era diferente. O meu pensamento não é baseado em linguagem, mas em imagens", explica. Se ela ouve a palavra "árvore" vê uma certa árvore em que brincava, quando era pequena.
Temple descobriu ainda uma característica parecida com a dos animais. A tese dela é que a mente de um autista funciona como a de um animal. Medo é a principal emoção. "Animais estão sempre alerta. Antes de tomar antidepressivos, eu estava sempre olhando assustada, prevendo perigo."
Na fazenda, Temple ficou fascinada pela vacinação de vacas. Os animais eram levados do curral para um corredor. Barras de ferro se fechavam até o ponto de segurá-las. Elas não se machucavam e eram vacinadas. "Eu observei que os animais ficavam calmos, depois de serem pressionados. Notei que a pressão das barras de ferro os acalmava", diz Temple.
Temple teve a ideia de copiar o método de vacinação das vacas e criou a máquina do abraço, recriada em um filme que conta a história dela. Estrelado pela atriz Claire Danes, o filme ganhou sete estatuetas do Emmy, o Oscar da televisão.
Ela controlava a pressão da máquina, ficava ali até 20 minutos, uma vez por semana, e saía relaxada. “A pressão acalma. Não funciona com todo mundo. Por outro lado, fazer carinho levemente com a mão lhe causa medo”, diz.
Em 2005, o repórter Nelson Araújo esteve na Carolina do Norte com Temple Grandin e experimentou a sensação de ser abraçado pela máquina, e gostou: “É bom e realmente relaxa”.
A máquina do abraço não existe mais. Quebrou e não foi consertada. Temple Grandin diz que já consegue abraçar algumas pessoas. Foi um processo gradativo de perder a hiper-sensibilidade.
O processo começou ainda quando era criança. O esforço enorme da mãe, dos terapeutas e dos professores foi essencial para que ela se desenvolvesse. Com afeto, ajuda profissional e apoio, Temple conseguiu quebrar a barreira do autismo.
Hoje, ela tem pós-doutorado em veterinária. É especialista em neurociência e dá palestras no mundo inteiro para pecuaristas sobre como criar o gado, respeitando os animais. Ela desenvolveu um projeto de curral cheio de curvas, que reduz o estresse dos bois, antes do abate.
Temple surpreendeu psicólogos e psiquiatras, escrevendo livros e uma autobiografia, em que conta como é ser autista. Ela ensina como os sentimentos afetam quem tem autismo. “Eu tenho emoções, mas elas são simples, eu fico com raiva, fico triste, fico alegre e tenho medo”, revela.
Aos 63 anos, Temple diz que não quer parar de trabalhar nunca. Com o trabalho, ela faz parte do mundo. “Eu me sinto responsável por dar informações corretas para as pessoas e informações práticas. Essa é a minha missão", declara.

A história de Matheus - Inclusão Social

Linda esta reportagem do link abaixo.

http://revistaescola.abril.com.br/inclusao/educacao-especial/experiencia-matheus-aluno-autista-escola-482092.shtml

26 de dezembro de 2011

Autismo na França: bem-vindo à terra dos horrores

Em março, fizemos ecos ao sofrimento por que passam as pessoas com autismo e suas famílias na França.
Nos últimos meses, continuamos a coletar informações e entrar em contato com vários ativistas pelos direitos das pessoas com autismo naquele País e as informações (em primeira mão) que nos têm fornecido é tão grande que decidimos fazer este relatório sobre a situação atual, gravíssima, a que o país mantém as pessoas com autismo e suas famílias. Queríamos ter feito uma lista dos direitos das pessoas autistas que são violados na França mas, já que são quase todos, resolvemos pular essa parte.

Educação

Na França, uma criança diagnosticada com autismo praticamente não tem o direito à educação. Apenas 20% das crianças com autismo conseguem acesso à educação. E estes 20% "afortunados", na maioria, coincidem com as crianças diagnosticadas com Autismo de Alto Funcionamento e Síndrome de Asperger. De qualquer forma, esse acesso à escolaridade regular não é de 100%. Este problema também se aplica a crianças com outros problemas, como déficit de atenção e hiperatividade, disfasia etc ...

Os afortunados

Espera-se que esses 20% de crianças "afortunadas" vão à aula com seu AVS (Assistante de Vie Scolaire - auxiliar de vida escolar) ou EVS (Employée de Vie Scolaire - empregado de vida escolar) e, caso se comportem bem, podem continuar a frequentar uma escola regular (Caso contrário, serão expulsos do centro). Mas, claro, para que a criança conheça seu AVS ou EVS será necessária uma espécie de alinhamento cósmico e planetário. Que seja concedido esse apoio pessoal à criança é uma questão de pura sorte e não um direito. O outro problema é que uma grande percentagem desses trabalhadores não têm formação e muda a cada ano. Se tiver sorte e ganhar a loteria do assistente especializado, você nunca saberá o que vai acontecer no ano seguinte. "Há tantas situações particulares como há crianças: levaria anos para fazer uma lista de casos ilógicos e escandalosos. Novamente, tudo tem a ver mais com sorte que com direito" é a informação que nos mandam da França, a respeito desta questão.
Temos também a figura do SESSAD - Service d’Education Spéciale et de Soins A Domicile (Serviço de Educação Especial e Assistência a Domicílio"), (ou seja, profissionais QUE intervêm no meio "normal" para dar ajuda e aconselhamento aos professores e cuidadores de crianças). Tal como acontece com AVS e EVS tudo diz respeito a onde você vive... e sorte. Cada SESSAD pode usar um modelo diferente e assim nos deparamos com muitos tipos diferentes de apoio ou assistência apresentados como SESSAD. Mais uma vez, entramos neste tipo de roleta russa da sorte. O problema de jogar roleta russa é que a bala te acerte.
Na fronteira do bem e do mal: Quando a criança atingir sete anos, se a equipe docente achar que não tem o ritmo certo, irá enviá-la a uma escola especial ou a uma sala de educação especial dependentes de um destes centros, goste a família ou não. E se a família se opuser, a criança ficará em casa. Isso se aplica não apenas ao autismo, mas a outros tipos de deficiência.


Educação Especial

Pressupõe-se que os “Instituts Medico Educatifs” (Institutos médico-educativo), ou IME, sejam Centros de Educação Especial do país do conhaque. Mais uma vez, devemos colocar nas mãos do destino, dos alinhamentos planetários e do horóscopo chinês, já que, com os IMEs se passa algo parecido com os SESSAD. Em alguns casos, os IMEs são regidos por sistemas de psicanálise, "packing", "pataugeoire" (colocam a criança em um maiô, em uma pequena piscina inflável, e dois "terapeutas" observam seu comportamento na água: se toca as partes íntimas ou não, como evolui, seus gestos, suas expressões, e tiram conclusões a partir dessas observações) e uma série de atrocidades próprias do início do século passado, por isso, se nos for indicado um desses IMEs, é melhor para a criança ficar em casa. Podemos também darmos de cara com IMEs tentando implementar outras estratégias educativas. No entanto, as relações aluno/terapeuta geralmente giram em torno de 12 para 1, sem contar a melhor ou pior qualificação da equipe de intervenção terapêutica. Os IMEs realmente tornaram-se um lugar comum de detenção de crianças, mas com passe livre a noite.
O outro problema é que, se um IME faz um bom trabalho, rapidamente satura; as famílias inclusive migram para outras regiões para ter acesso a esses raros lugares.
O "Hôpitaux de Jour" (Hospital Dia) é algo como uma casa de horrores. Um centro ligado à área de psiquiatria do hospital onde se maltratam diariamente os casos mais graves. Por sua vez, estes centros têm por bem não dar quase nenhuma informação sobre que tipo de intervenção fazem com as crianças. Tampouco nada parece ciência certa nem se tem feito estudos sérios sobre o tipo de intervenção e seus resultados. Como há pouca supervisão local (ou nenhuma) pelo Ministério da Saúde (embora haja Agências Regionais de Saúde: ARS) em relação às melhores práticas, as equipes desses centros fazem o que querem, desde que não ponham a criança em perigo, e não há queixas legais das famílias (a verdade é que com pouca informação é difícil fazer uma reclamação bem documentada). Outro aspecto "inacreditável" desses centros é que muitos deles seguem o caminho da psicanálise e estão determinados a "estudar" a família inteira para provar que a culpa é deles, principalmente da mãe!


Profissionais qualificados


Frente a este panorama incrível, o número de profissionais treinados e qualificados é muito baixo. Ao mesmo tempo, há pouco apoio financeiro à formação especializada nesta área. Praticamente todo o apoio financeiro do governo vai para os centros que acabamos de mostrar. Profissionais de qualidade, que não vivem em 1905 como o resto de seus "colegas", trabalham em centros privados, sendo por isso muito caros e além do alcance da grande maioria da população.
Este tipo de centros, onde podemos encontrar sistemas de intervenção reconhecidos em todo o mundo (ABA, TEACHH, PECS, ...), só obtêm 10% dos fundos para o autismo, com o que o desenvolvimento de planos modernos e eficientes de intervenção para o autismo torna-se impossível.

A Família

Por trás desta imagem tão desoladora, há dezenas de milhares de famílias a sofrer todos os dias esta situação terrível. Essas famílias enfrentam muitos problemas com os quais devem lutar todos os dias, encontrando na maioria das vezes uma "Linha Maginot", uma barreira social e burocrática.
E que saídas existem? Atualmente as famílias francesas encontram situações tão absurdas que escapam de qualquer lógica, posto que torna mais difícil até mesmo poder enfrentar a situação.
Por um lado, ficam cara a cara com a infelicidade de não ganhar a "loteria" a que nos temos referido nesta reportagem; por outro lado, devem enfrentar diagnósticos mais que duvidosos e um modelo de intervenção mais próximo do "Doutor Mengele" que dos verdadeiros modelos de intervenção. Muitas famílias optam por ter um dos pais abandonando os trabalho a fim de cuidar de seu filho de uma forma humana. Ao mesmo tempo, têm que chegar a o nível de conhecimento e preparo necessário no menor tempo, sem acesso aos recursos e sem muitas condições econômicas, para tornar-se terapeutas de seus filhos. Não esquecendo que enfrentam a rejeição social, o esquecimento burocrático e a perda de direitos.
Talvez, se você tiver uma família afortunada com muita sorte, a "Maison des Personnes Handicapées" (MDPH) de sua região (há mais de 80) será pró-ativa e poderá apoiá-lo, desde que seja inteligente o suficiente para contornar o labirinto legal e burocrático que existe antes de conseguir subsídios e benefícios econômicos. Se conseguir, poderá ter dinheiro suficiente para ajudar a custear algumas intervenções. Dependendo de onde morar e de quão hábil seja, poderá obter o suficiente, ou nada. Então, se você não tem recursos financeiros suficientes, você não poderá dar as oportunidades que a criança merece e isso, como é claro e normal, aumentará (ainda mais) a tensão no seio da família. Esse sentimento de impotência e perda de esperança corroi o espírito mais firme.
Ação Direta: Dada esta terrível situação, as famílias estão se organizando e começando a organizar todo o tipo de protesto e ações contra essa situação que prejudica diretamente os direitos, liberdade e dignidade de milhares de cidadãos franceses. Nessa luta pela dignidade, o respeito, os direitos e a igualdade devem ter todo o apoio da comunidade internacional. Pois mesmo na França há uma democracia real.

Alguns nomes
http://www.youtube.com/watch?v=BMoWDeGvM0E&feature=player_embedded

Talvez hoje a técnica de packing seja a tortura mais famosa dos "especialistas" franceses. E ainda se permitem dar cursos de formação e realizar estudos, tudo pago com dinheiro público, evidentemente. Se você não sabe o que é o packing, assista a este vídeo, onde vai ver um jovem embrulhado em lençóis molhados e muito frios, como se fosse uma múmia, deixando apenas o rosto descoberto. Supõe-se que este castigo físico e agressão emocional seja uma terapia?
Mais informações sobre os centros que estão realizar um "estudo" de "packing" no site de Autisme Infantile, assim poderão evitar que estes centros torturem algum ente querido.
Outro dos "brilhantes" pontos dos psicanalistas franceses é seguir culpando a mãe pelo autismo de seu filho.
Abordamos essa questão sobre a teoria de Bruno Bettelheim e as mães no artigo: ¿Madres Nevera? o ¿la frialdad de un hombre? Bruno Bettelheim.

E continuando na mesma linha não percam tempo com a Sra. Geneviève Loison, que afirma que as mães são nada menos do que um crocodilo! Apesar de sua aparência de "Vovozinha" os danos que esta senhora produziu e continua a produzir a todas as pessoas que têm a infelicidade de passar por suas mãos não tem tamanho. Assim, famílias francesas começaram uma campanha contra a Sra. Geneviève Loison, sob o slogan "Um Crocodilo para Genevieve".
Pode-se ver mais informações no mural do Facebook de Autisme Infantile.
Este é um breve resumo da situação atual. Realmente o problema é sério o suficiente para se dedicar muito mais espaço, mas a intenção foi abordar uma realidade concreta. Certamente não é uma situação feliz para ninguém, embora dar visibilidade a estes é parte da responsabilidade dos meios de comunicação. Isto é o que está acontecendo e isto é o que contamos.


Matéria publicada simultaneamente no:
http://cronicaautista.blogspot.com
Postado por Argemiro Garcia
20.12.2011

23 de dezembro de 2011

Integração Sensorial – Trocando em Miúdos

Recebi de uma colega e achei muito explicativo ...

http://www.grhau. com.br/artigos. php?id=41

Publicada em: 26/04/2006

Integração Sensorial - Trocando em miúdos

Este artigo é destinado a pessoas que queiram ter uma compreensão inicial de como a integração dos sistemas sensoriais interferem no nosso modo de funcionamento diário.

É comum encontrarmos famílias que procuram entender porque seus filhos apresentam comportamentos diferentes em relação a outras crianças, principalmente em ambientes sociais e atividades escolares. Tais como:

-dificuldade em manter atenção na sala de aula ou em brincadeiras com regras complexas
-dificuldade em sentar para fazer a lição e organizar-se no tempo
-dificuldade na coordenação motora fina
-necessita de um tempo maior para entender ordens verbais
-freqüentemente pede para repetir o que foi falado
-não gosta de ser tocado. Não gosta de se sujar
-evita ambiente com muitas pessoas e ambientes barulhentos.
-é mais lento em relação a outras crianças por exemplo, em jogos motores
-evita brinquedos de parquinhos que giram e/ou que envolvam altura
-procura balançar-se muito e/ou atividades "radicais" sem medo e cuidado em machucar-se
-tem comportamento hiperativo
-tem comportamento mais passivo que as demais crianças
-dificuldade para iniciar, dar sequência e/ou finalizar alguma atividade, por exemplo de auto-cuidados
-cansa rápido para andar, correr, subir e descer escadas.
-esbarra constantemente nos objetos ao redor, derruba coisas sem querer.
-cai freqüentemente
-oscila de humor de uma forma que chame atenção.
-comportamento de insegurança e/ou ansiedade.

Estes são alguns dos sintomas que, associados a outros, podem ser indicativos de Disfunção de Integração Sensorial. São comportamentos que devem ser olhados com maiores cuidados se estiverem incomodando ou prejudicando o desempenho da criança em alguma esfera.

Vale o bom senso em respeitar os modos diferentes de funcionamento de cada pessoa.

A seguir, discutiremos sobre a capacidade que o nosso corpo tem de fazer a integração dos processamentos sensoriais e construir formas de comportamentos no cotidiano.

Informações básicas de Integração Sensorial.

Inicialmente vamos entender como se dá o processo de integração sensorial

Em primeiro lugar estamos nesta vida sempre em contato com estímulos sensoriais que nos passam informações a todo o momento. E, segundo ponto importante: por dentro e por fora ao mesmo tempo. Estamos falando em tempo e espaço.
Estas informações entram por órgãos minúsculos que são os receptores sensoriais (eles recebem e enviam as "mensagens" sensoriais para as vias responsáveis) .
Onde estão os receptores sensoriais? Na nossa pele, por exemplo, bem como nos demais órgãos dos sentidos. E quais são os sentidos? Sobre isto falaremos mais pra frente, pois se enganam aqueles que pensam que só temos cinco sentidos. Pois bem, vamos imaginar que estas mensagens passam por várias encruzilhadas, paralelas, retas, curvas, contínuas viagens pelo nosso corpo até chegar em centros superiores do nosso sistema nervoso. As informações, portanto são processadas, "lidas", como se estivessem numa rede formada de diversas mensagens que vêem de outras partes do corpo interagindo ao mesmo tempo junto com os demais sistemas (motor, emocional, etc). Lembram o que vimos no início? Tudo ao mesmo tempo.

O que acontece então para o sistema não entrar em colapso já que tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo?

Estas estruturas do sistema nervoso desempenham o papel de receber, modular, regular, associar, interpretar, colocar algumas informações em prioridades, e elaborar respostas para continuarmos como seres vivos e seres que temos a capacidade de se adaptar às diferentes mudanças do ambiente em que vivemos, quer dizer, podemos viver bem, apesar de, a todo momento tudo estar mudando ao mesmo tempo. A cada segundo nossa vida muda, e o nosso corpo modula isto, comandado pelo sistema nervoso. A cada segundo são geradas respostas que chamamos adaptativas. Este caminho complexo se dá pela Integração Sensorial. Isto nos faz por exemplo, poder nos auto-regular, ou seja, podermos saber em que medida dar os nossos passos e como fazer isto. A questão da regulação é um passo muito importante, pois sem ela não dosamos nossas ações, sentimentos, pensamentos e nem nos realimentamos para prosseguir o que queremos. O impulso para a vida depende muito da regulação do nosso corpo. Isto acontece desde reações simples e automáticas como manter a temperatura corporal até mais complexas como a atenção que empenhamos para assistir a uma aula. Ou seja, tudo.
O estado de alerta, a habilidade para modular os estímulos e a atenção trabalham inter-relacionados e interferem diretamente na nossa interação com o meio e na forma de como iremos aprender. E para isso acontecer construímos espontaneamente a nossa dieta sensorial na qual usamos recursos para manter nosso nível necessário de alerta. Quer dizer, nos alimentamos sensorialmente devido a necessidades de nos adaptar aos diferentes momentos da vida.

Mas e quando algo muda o rumo desta história?Isto é, quando estas áreas não trabalham em sintonia, de forma integrada? O que acontece?

Imaginem uma orquestra onde alguns dos instrumentos tocam sem afinação ou sem partitura. Com o ruído fica difícil reconhecermos a música que está sendo tocada. O mesmo acontece conosco quando, por algum motivo, temos estas diferenças nos caminhos para a formação do que chamamos mapa sensorial. Isto mesmo, nós formamos durante a nossa vida, desde intra-útero, o nosso mapa sensorial e é sempre construído mediante nossas experiências, integrado com os demais mapas (motor, emocional, social, etc). O mapa sensorial irá fornecer elementos importantes para a percepção de nós mesmos, graduar os movimentos, modelar maneiras de nos relacionar, saber identificar cheiros, imagens que nos remetem a lembranças, enfim tudo o que nos envolve, por dentro e por fora, integrado, único.
É necessário que as informações sensoriais, e a integração destas, estejam funcionando de um modo adequado em todas as atividades humanas: movimentar, comer, brincar, ler, cantar, amar, sorrir, abraçar, pegar, dormir, prestar atenção, compreender, e muitas outras.

E qual a importância dos sistemas sensoriais neste ensaio de orquestra?

Vamos entender rapidamente sobre os sentidos.
Já pararam pra pensar que o maior órgão do sentido (em extensão territorial) está na nossa pele? Além do 1 metro e sessenta cm (para alguns) ainda há dentro de nós mais receptores. A nossa porta de entrada com o mundo é a nossa pele. O tato nos permite identificar/ discriminar o que tocamos ou o que nos toca, além de nos proteger. Cada sistema sensorial tem a sua função específica no corpo humano, e cada um não trabalha sozinho, eles se interdependem. Além do tato, audição, paladar, visão, olfato há dois sentidos, muito importantes para a integração sensorial. No "ensaio da orquestra", o sentido proprioceptivo e o vestibular não podem faltar para a afinação. Este último funciona como um maestro ao mesmo tempo em que toca. Ele é um supermodulador para o processamento sensorial, além de trabalhar para o equilíbrio e demais áreas. Os seus receptores estão no labirinto. Já o proprioceptivo nos dá a percepção corporal, é por causa dele que nós não precisamos olhar para tudo que fazemos com o nosso corpo. Ele regula o nosso movimento e a sensação deste. A maioria dos seus receptores estão nas articulações. No popular, poderíamos dizer que o sentido proprioceptivo funciona como "os olhos do corpo". Os sistemas tátil, vestibular e proprioceptivo são os mais primitivos na formação humana e trabalham juntos o tempo todo na organização da postura, equilíbrio, coordenação, bem como colaborando na organização dos demais sentidos.

Vamos a questão dos sintomas de disfunção de IS.

Pois é, podemos pensar naqueles caminhos que já mencionamos anteriormente que vão até o cérebro. Na hora de processar as informações, devido a inúmeras causas, como lesão no sistema nervoso, ou simplesmente uma imaturidade do mesmo, pode haver interpretações e respostas não adaptativas necessárias para as atividades cotidianas. É como se a leitura da mensagem não fosse reconhecida, então chega uma outra mensagem que muitas vezes não faz sentido para própria pessoa e muito menos para quem está com ela resultando em alterações de comportamento. Vejamos por exemplo, crianças que apresentam comportamento de defensividade tátil. Devido à falta de regulação deste sistema, o estímulo tátil torna-se aversivo: a pessoa não gosta de ser tocada, não gosta de se sujar, não gosta de comer certos alimentos com textura diferentes, entre outros. Neste caso dizemos que há uma hiperresponsividade tátil (resposta de alta intensidade) . Poderia ser também ao contrário, qualquer estimulo tátil não faz diferença, sendo uma hiporesponsividade deste sistema (resposta de baixa intensidade) . Vamos transpor isto para todos os outros sentidos. Imaginem a confusão que dá quando há uma hiporesponsividade proprioceptiva (pouca sensação do corpo) e uma hiperresponsividade vestibular ( alta sensibilidade a movimento).
Pois é, algumas crianças com atraso escolar muitas vezes têm alterado a maturidade destes sistemas, ocasionando dificuldade na relação com o outro, dificuldade de atenção e concentração, auto-estima prejudicada com privação na participação de sua vida social e escolar, alteração no tônus muscular com dificuldade de equilíbrio e na coordenação motora ampla e fina. Muitas vezes são confundidas e diagnosticadas por problemas emocionais ou retardo mental. Isto não quer dizer que estes problemas não possam caminhar juntos algumas vezes. Mas o fato é que uma Disfunção de Integração Sensorial isolada não quer dizer problemas de inteligência. Pelo contrário, existem muitas crianças que não apresentam dificuldade na área intelectual, mas que sofrem por ter esta disfunção, e principalmente, quando não é tratada a tempo. Além disso, há crianças que tiveram lesão cerebral que também apresentam disfunção de IS.
Vale lembrar que, há crianças que apresentam comportamento similar, porém o núcleo das dificuldades está basicamente na área emocional e deve ser tratada por um profissional qualificado. Por isso é importante uma avaliação criteriosa para diferenciar e saber quais as prioridades para aquela pessoa.

Existe tratamento para a disfunção de IS?

Sim, o princípio da terapia de integração sensorial acredita na possibilidade de uma reorganização do modo de funcionamento dos sistemas sensoriais e para isso utiliza atividades lúdicas e dirigidas com o uso combinado destes sistemas. A criança reconstrói formas de discriminar, selecionar, interpretar melhor as mensagens para transformá-las em ações adequadas para a função exercida (social, escolar, autocuidados, etc). São brincadeiras e jogos que são trabalhados os sistemas integrados que gradativamente são aumentados os desafios motores e perceptivos bem como a complexidade das ações. O sistema vestibular sempre entra na brincadeira para auxiliar na modulação e integração (balanços, circuitos com mudanças de altura e direção, entre outros). A sessão de terapia de integração sensorial é construída junto com a criança de acordo com o seu centro de interesse combinado às necessidades. Em síntese, o tratamento modifica a dieta sensorial sendo favorecido o uso de organizadores para regulação. Os organizadores podem ser desde o toque do terapeuta, a criação de ambiente favorável e até um material para desenvolver uma função específica.
A criança reorganiza o seu modo de funcionamento para as funções cotidianas. Para isto é necessário que a família e a escola estejam integrados aos objetivos do tratamento.

Qual o profissional que faz o tratamento?

O Terapeuta Ocupacional ou outro profissional da área de saúde que tenha especialização na área de Integração Sensorial.

Como saber se o seu filho (a) precisa de terapia de IS?

É necessário que seja feita uma anamnese (entrevista com a família para colher dados e percepções) e uma avaliação detalhada com a criança onde será observado o modo de funcionamento nas atividades gerais e como cada sistema sensorial está integrado.

Quanto tempo dura o tratamento?

Depende muito da causa da disfunção, da idade em que a criança procura o tratamento e de outras disfunções associadas.

Qual a periodicidade da sessão?

No início do tratamento no mínimo duas vezes por semana para ter resultados mais eficazes.

Resultados:

Os primeiros resultados do tratamento podem aparecer no humor e auto-estima da criança, elas tornam-se mais seguras e menos irritadas, e com um conhecimento melhor do seu corpo. Elas aprendem a monitorar as suas necessidades sensoriais e ações, bem como melhoram no desempenho das atividades que exigem coordenação motora integrada com atenção.

De maneira geral espera-se melhora no desempenho escolar e nas relações sociais.

Como a família pode ajudar?

Em primeiro lugar ter o cuidado em como interpretar o comportamento da criança e evitar rótulos tais como: preguiçosa, "bicho do mato", "desastrada" , "vive no mundo da lua", etc.
Em seguida procurar um especialista para esclarecer o motivo daquele comportamento diferente.

Encorajar atividades de:
-jogos corporais, ir a parques com diferentes estímulos e desafios (trepa-trepa, balanço, gira-gira, ponte movediça), tendo o cuidado de respeitar o limite de cada criança.
-evitar o excesso de limpeza, se possível deixar descalço, fornecer momentos de contato corporal de uma forma prazerosa, dar toques diferentes leve e profundo.
-balançar no colo, na rede ou no cobertor.
-dançar
-brincar de guerra de almofadas, de cabo de guerra, transportar objetos
-favorecer atividades de pintura, massa de modelar e argila,
-brincar de construir histórias onde represente as ações de forma concreta (passar por túneis, escadas, cordas) e por meio de desenhos e pinturas.
-brincar de teatro: interpretar personagens usando o corpo e imaginação.
-criar ambientes e momentos que sejam organizadores para a criança, que podem ser construídos mediante a orientação da terapeuta ocupacional, para a "dieta sensorial".

Vale lembrar que estas sugestões só serão válidas se tiver a participação e consentimento da criança. Incentivem fazendo junto com ela ou com outras crianças. Aproveitem para brincar também.

Se você quiser dar alguma sugestão, tirar dúvida ou comentar sobre o que leu, escreva-me. É importante saber se este artigo contribuiu para uma compreensão básica sobre IS.
bethprado@grhau. com.br

Ana Elizabeth de Oliveira Prado
Terapeuta Ocupacional
CREFITO 3-1670 TO

http://www.grhau. com.br/artigos. php?id=41

Recomendação do MP proíbe escola particular de cobrança taxa extra para aluno com deficiência

Fiquem por dentro.

http://www.jornalpequeno.com.br/2011/12/20/recomendacao-do-mp-proibe-escola-particular-de-cobranca-taxa-extra-para-aluno-com-181084.htm


20 de dezembro de 2011 às 11:52

A Promotoria de Defesa da Pessoa com Deficiência emitiu recomendação as escolas da rede particular de ensino a excluírem dos contratos de matrícula cobrança de taxa extra aos alunos com deficiência. O alerta foi dado pelo Promotor de Justiça, Ronald Pereira dos Santos, no Programa de rádio, Estação Ministério Público, veiculado pela rádio São Luís, frequência 1340, aos sábado (17.12), das 9 às 10h.
A partir do início do próximo ano letivo, o Ministério Público determinou 60 dias de prazo, para que as escolas da rede particular excluam do contrato a taxa adicional cobrada aos alunos com deficiência. “Não pode haver distinção nos valores de mensalidades entre os alunos”, informa o promotor de Justiça.
Em caso de descumprimento à recomendação, os pais ou responsáveis de alunos podem recorrer à Defensoria Pública, ao Conselho Estadual de Educação (CEE) e ao Ministério Público, através da Promotoria de Defesa da Pessoa com Deficiência, instalada no Garden Shopping, no retorno da Cohama.
Outro item do documento, é a solicitação de envio pelas escolas à Promotoria, da relação quantitativa de crianças e adolescentes portadoras de deficiência matriculadas nos respectivos estabelecimentos. Posteriormente, o promotor Ronald Santos fará, por amostragem, fiscalização em escolas checando a aplicação da recomendação.
Cabe ainda as escolas, de acordo com o Ministério Público, a disponibilização de profissionais especializados para acolhimento de crianças e adolescentes com deficiência, isso inclui, a oferta de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e material em Braille.
Os estabelecimentos de ensino que não cumprirem as normas contidas na recomendação, estão passíveis de sanções penais, como processo por discriminação, e, a cassação da licença de funcionamento do estabelecimento pelo Conselho Estadual de Educação.

18 de dezembro de 2011

Autismo: a importância da inclusão escolar

O que realmente se pode chamar de inclusão? Será que a inserção de crianças com necessidades especiais, como as que se encontram no espectro autista, em escolas regulares já é suficiente para intitularmos este processo como tal? Infelizmente, muitas escolas que “aceitam” receber essas crianças com autismo em ensino regular não realizam, de fato, a inclusão social e escolar.
São inúmeras as que ainda se recusam, afirmando que não há vagas ou que não têm o preparo necessário para acolhê-las e passam por cima da Lei da Inclusão. Quando essas crianças são matriculadas, na maioria das vezes não encontram na escola a estrutura suficiente, ou seja, um olhar que tenha como real prioridade permitir que elas explorem ao máximo suas potencialidades neste ambiente tão rico de experiência social.
É neste contexto e com este objetivo que entra em cena o mediador ou facilitador escolar. Seu papel é direcionado a possibilitar que o máximo de oportunidades sejam criadas e aproveitadas para que as crianças com necessidades especiais aprendam, não apenas o pedagógico, mas também o social. Assim, esse profissional tem como função mediar os conflitos e facilitar a comunicação entre a criança e seus colegas de sala e entre ela e os professores, ou seja, com o ambiente escolar como um todo. Seu papel não o é de tomar o lugar do professor, mas de permitir que seus ensinamentos sejam assimilados ao máximo pela criança, já que esta enfrenta barreiras que não fazem parte da vida de crianças sem o transtorno.
Quando colocamos em ênfase o espectro autístico, podemos avaliar a importância do aprendizado das regras sociais, estas que são dominadas por crianças fora do espectro com muita naturalidade, de modo quase automático. Estas regras fazem parte do dia-a-dia de todos e nos mostra como o nosso mundo funciona. Qual ambiente seria mais propício para o treinamento dessas habilidades do que o escolar? É na escola onde a criança passa a maior parte do seu dia e é lá onde estão as maiores oportunidades de crescimento.
Minha experiência com mediação escolar começou há seis anos, com L., diagnosticada aos 2 anos de idade com Síndrome de Asperger. Quando comecei a fazer este trabalho, ela tinha 6 anos e apresentava inúmeros problemas de comportamento, como episódios obsessivos-compulsivos, birras e muita resistência a seguir regras. Hoje, L. lê, escreve, brinca com as amigas no horário do recreio, faz canto lírico, além de muito dever de casa, provas como todas as crianças, mesmo que estas sejam adaptadas, pois sem adaptação curricular, não há inclusão verdadeira. Muito impulsiva, L. sempre teve dificuldades em esperar chegar a sua vez de participar em alguma atividade. Hoje, na maioria das vezes, L. levanta o dedo e espera... mesmo que às vezes tenha que apertar os lábios para não falar antes do tempo e interromper a professora ou algum amigo. Existem os dias em que a frustração é mais difícil de se agüentar. Apesar disso, a força de sua luta é inegável. Sem dúvida alguma, L. é uma semente com incrível potencial de crescimento. Com a ajuda de uma ponte, aquela água que é regada diariamente pode desabrochar numa linda rosa. Com a presença de uma mediadora escolar, muitas crianças do espectro autista podem, assim como L., aumentar imensamente suas possibilidades de sucesso na escola, que irá repercutir por toda sua vida.

* Psicóloga Infantil, mestranda em Saúde Mental Infantil pela Unifesp e colaboradora da ONG "Autismo e Realidade" (www.autismoerealidade.org) Fonte: Jornal do Brasil

16 de dezembro de 2011

Lucas contando os Números. Muito Lindo!!!

O Lucas já sabe identificar e falar a sequência de números desde os dois anos, porém ele repetia sem função e em qualquer momento, mesma coisa quando via os números na rua... Soletrava todas as placas dos carros e os números dos ônibus. Agora estamos tentando ensiná-lo a quantidade. Conto bolinhas, brinquedos e os dedos... Ele está contando quando solicitamos e prestando muita atenção. Acredito que ele já está entendendo, pois até na escola ele já está contando pedrinhas, brinquedos e etc... O video ficou muito bonitinho...rs A vozinha bem suave...Lindoooo!!! Olhem o link.

http://www.youtube.com/watch?v=MlQDSLEQxuc

15 de dezembro de 2011

NOVIDADES SOBRE AUTISMO E ASPERGER

Ter, 29/03/2011 - 22h01
Fonte:http://vilamulher.terra.com.br/novidades-sobre-autismo-e-asperger-9-6188853-142723-pfi-abreueleonora.php

Nova teoria sugere que o autismo pode ser reversível

Um grupo de cientistas propôs uma incrível nova teoria sobre o autismo, que sugere que o cérebros de pessoas com autismo são estruturalmente normais, apenas desregulados, querendo dizer que os sintomas da desordem podem ser reversíveis.O princípio central da teoria é que o autismo é causado por um desequilíbrio nolocus coeruleus, um feixe de neurônios noa base do cérebro, que processa os sinais sensoriais de todas as áreas do corpo. A teroria baseia-se em anos de observação de que algumas crianças autistas parecem melhorar quando têm febre.O sistema locus coeruleus-noradrenergic (LC-NA) é o único sistema cerebral envolvido em ?fabricar? a febre e controlar o comportamento. Está envolvido numa variedade de comportamentos complexos, como a atenção focada. Atenção focada nas coisas é um dos sintomas que definem o autismo.Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que no autismo o sistema locus coeruleus-noradrenergic (LC-NA) está desregulado devido a fatores ambientais, genéticos e epigênicos (fatores ambientais externos que influenciam no comportamento dos gens).Fonte: Science Daily April 2, 2009


Síndrome de Asperger ligada a baixos níveis de cortisol
A obsessão por rotina e o desconforto com novas experiências, comum em crianças com um certo tipo de autismo podem estar relacionadas com baixos níveis de um hormônio do estress.Os pesquisadores observaram que crianças com Asperger não experimentam o aumento normal de cortisol ao acordarem de manhã. Os níveis do hormônio no organismo dessas crianças ainda por cima diminui no decorrer do dia, como acontece com aquelas crianças sem a síndrome.O corpo produz cortisol durante situações de estresse. O cortisol aumenta a pressão sanguínea e os níveis de açúcar para ?avisar? o organismo precisa se adaptar às mudanças ambientais. O leve aumento de cortisol ao acordar ajuda o cérebro a acordar para o resto do dia.O estudo sugere que crianças com Asperger podem não se ajustar adequadamente às mudanças para um novo ambiente ao acordarem, o que poderia afetar o modo como eles interagem com o mundo à sua volta. TSources: Forbes April 1, 2009

RELATO DE UMA MÃE

09/04/09 - 09h52 - Atualizado em 09/04/09 - 09h52

Mãe relata o difícil processo de aceitação quando o filho tem autismo

Annie Lubliner Lehmann é escritora e vive no Michigan, EUA.
É autora de “The Accidental Teacher: Life Lessons From My Silent Son”.

Annie Lubliner Lehmann Para o 'New York Times'

Quando meu marido e eu soubemos da impossibilidade de cura do autismo de nosso filho Jonah, direcionamos nossas mentes para provar que os peritos estavam errados.

Isso foi há 22 anos.

Nós éramos jovens e ativos, e a lacuna de desenvolvimento entre Jonah, então com três anos de idade, e seus colegas, mesmo sendo óbvia, não era clara.

Sem outras crianças para cuidar na época, a ajuda a Jonah tornou-se o foco de nossas vidas. Cada troca seria uma lição, cada experiência um estudo.

Jonah se importava principalmente com comida (e ainda o faz), então eu ia até o mercado com uma lista e uma agenda, esperando usar aquela paixão para ensiná-lo conceitos essenciais. Eu seguia seu olhar e apontava cores (maçã vermelha) e formas (biscoito redondo).

Quando ele ignorava essas lições, a despeito de nossos mais animados esforços, tentávamos tudo mais que conseguíamos pensar. Nada era difícil ou caro demais. Usamos vitaminas e restringimos sua dieta. Introduzimos quadros de comunicação e organizamos terapias de integração sensorial. Fizemos com que ele usasse fones de ouvido para normalizar sua audição, e tentamos tratamentos miraculosos que nenhum ser humano racional consideraria.

Porém, cada esperança era seguida por um desapontamento. Poderíamos, da mesma forma, estar caçando borboletas com uma rede rasgada.

Todavia, quando Jonah atingiu a adolescência, estávamos esgotados e frustrados, não muito longe de onde começamos. Encaramos o espectro da falta de esperança e a abundância de questões irrespondíveis.

Os dilemas

Quão diferente era Jonah de outras crianças com autismo? Será que ele estaria melhor se não tivéssemos tentado tudo que tentamos? Ou descer da montanha-russa de intervenções significaria nossa desistência?

Embora tentássemos desesperadamente ensiná-lo, tínhamos de admitir que Jonah não era um estudante. O que queríamos que ele fizesse tinha pouco a ver com o que fazia. Se não quisesse fazer algo, ele caía no chão e se recusava a se mover.

Então decidimos recuar e começamos e captar dicas fornecidas por ele.

Fazíamos as mesmas atividades de antes, mas sem uma lista de objetivos. Até então, ele nunca tinha conseguido aproveitar os prazeres sensoriais de seus armazéns de comida sem nossos monólogos sobre o que ele estava olhando. Agora ele estava, finalmente, livre para curtir as coisas por seu próprio intento.

Não muito tempo atrás, encontrei uma cópia de “Cinderela”. Lembrei-me de quando ele tinha cinco anos, a última vez em que tentei ler para ele. Bem, não exatamente “ler”; Jonah sempre demonstrou baixa tolerância à leitura tradicional, então as histórias tinham de ser cantadas ou recitadas ritmicamente.

Enquanto eu cantava “Cinderela”, ele rolou pelo chão, aparentemente insensível à história. Ainda assim, me apeguei à ideia de envolvê-lo e deixei uma frase para que ele a completasse.

“O relógio bateu às doze horas”, eu cantei fora do tom, “ e Cinderela desceu os degraus do palácio, deixando para trás um sapatinho...”.

Ele continuou a rolar, enquanto eu esperava ouvi-lo dizer “de vidro”.

Finalmente ele terminou a sentença para mim. “De leite”, disse ele.

Eu sorri, e ainda estou sorrindo, pois Jonah havia transformado seu professor em aluno. Eu nunca mais consegui ler ou pensar na Cinderela sem enxergar um copo de leite nos degraus do palácio.

Jonah completou 25 anos no último outono, e, quando olho para ele, não consigo deixar de imaginar se os anos passados não foram algum esquema comandado pelo céu para nos dar humildade e nos ensinar o valor da aceitação. Compreender nossa incapacidade de mudá-lo mudou a nós mesmos.

Seu futuro, ao menos a maior parte dele, está definido – numa casa próxima daqui com uma equipe que se importa. Sou grata por ele ter algumas das coisas que quero para meus outros dois filhos: amor, segurança, conforto físico e acesso às suas atividades favoritas.

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1079590-5603,00-MAE+RELATA+O+DIFICIL+PROCESSO+DE+ACEITACAO+QUANDO+O+FILHO+TEM+AUTISMO.html

Ele continua sendo um homem de poucas palavras. Entretanto, embora nos tenha levado anos, finalmente aprendemos que havia algo para ouvir em seu silêncio.

Estudo identifica gene com papel-chave em risco de autismo

Pesquisadores dizem que 'conserto' em variante de gene pode cortar casos em 15%.
Um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na revista científica "Nature" apresentou as provas mais convincentes encontradas até hoje de que os genes têm um papel fundamental no desenvolvimento do autismo. Cientistas da Universidade da Pensilvânia detectaram pequenas mudanças genéticas que parecem ter um forte impacto na probabilidade de um indivíduo desenvolver o autismo e outras doenças relacionadas, como a síndrome de Asperger.
As mudanças influenciam genes que ajudam a formar e manter conexões entre as células do cérebro. O estudo destacou em particular uma variante genética comum, que, se "consertada", poderia diminuir os casos de autismo em 15%. Pesquisas anteriores já relacionaram outras variantes genéticas ao autismo, mas todas elas são relativamente raras.

Proteínas
Para o atual estudo, os pesquisadores analisaram mais de 10 mil pessoas, buscando no genoma humano as pequenas diferenças entre as pessoas que sofrem de autismo e aquelas que não apresentam o problema.
Eles encontraram muitas variantes genéticas normalmente associadas ao autismo - todas elas apontavam para genes específicos do cromossomo 5, que controla a produção de proteínas que ajudam as células a se manterem juntas e a realizar as conexões nervosas.
Uma variante, entretanto, ligada a um gene chamado CDH10, está presente em mais de 65% dos casos de autismo, e os pesquisadores calcularam que solucionando esta mudança seria possível cortar o número de casos em 15%.
Segundo os cientistas, o autismo também está relacionado, com menos intensidade, a um grupo de cerca de 30 genes que produzem proteínas que ajudam as células cerebrais a migrar para os lugares certos e a se conectarem às células vizinhas. Outras mudanças genéticas notadas pelos pesquisadores ocorrem em genes envolvidos em um sistema de "reciclagem" celular que provavelmente assegura que essas proteínas atuem em perfeita ordem.

Complexo
Hakon Hakonarson, chefe da equipe de pesquisadores, reconheceu que a genética por trás do autismo é complexa. "Outros pesquisadores da doença já sugeriram que ela ocorre por causa das conexões anormais entre as células cerebrais durante o desenvolvimento da criança ainda nos primeiros estágios da vida. Por isso, nos sentimos obrigados a encontrar provas de que mutações em genes envolvidos nas conexões cerebrais aumentam o risco de uma criança desenvolver o autismo", afirmou.
"Mas provavelmente cada gene contribui um pouco para o risco, e cada um interage com outros genes e com fatores externos para desencadear a doença."
Segundo Simon Baron-Cohen, especialista em autismo da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, até hoje já foram identificados 133 genes que podem estar ligados à doença. Mas, para ele, ainda são necessários novos estudos para se descobrir como eles interagem entre si e com o ambiente externo. "O quebra-cabeças está sendo montado pouco a pouco, e a ciência do autismo está acelerando de maneira promissora", afirmou. O autismo e as doenças relacionadas afetam a interação social, a capacidade de comunicação e o comportamento.

Fonte:http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1102263-5603,00.html

Pesquisadores investigam perfil cerebral típico do autismo

por Sarita Coelho

A Fiocruz deu um importante passo na construção de um perfil de funcionamento cerebral de crianças autistas. Um estudo desenvolvido no Laboratório de Neurofisiologia do Instituto Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fiocruz, analisou a manifestação dos neurônios desses indivíduos em resposta a um estímulo visual. O resultado preliminar mostra que as crianças autistas apresentam uma ativação menor do hemisfério direito do cérebro, relacionado com as emoções e com o convívio social. Os pesquisadores ainda precisam comparar esses achados com os registrados em outros transtornos mentais, como esquizofrenia e hiperatividade. Se for confirmada uma resposta neurológica padrão para o autismo, será possível descrever uma forma de diagnóstico específico para a doença, hoje inexistente.

The Australian National University



Os neurônios são células responsáveis pela recepção, condução e transmissão dos sinais elétricos, emitidos pelo cérebro para comandar o funcionamento do organismo. A atividade elétrica do cérebro é registrada no eletroencefalograma (EEG) em forma de freqüência (quantidade de vezes em que um sinal se repete a cada segundo). "A freqüência cerebral é variável e os neurônios que vibram na mesma freqüência tendem a se agrupar. Quando você provoca um estímulo luminoso em uma determinada freqüência, recebe a resposta dos neurônios que vibram naquela freqüência", explica o médico Adailton Pontes, que desenvolveu o estudo durante seu mestrado no IFF, orientado pelo neurofisiologista Vladimir Lazarev e pelo neurologista Leonardo Azevedo.

A pesquisa foi feita com 13 crianças autistas, com idades variando entre 6 e 14 anos, selecionadas de acordo com o quociente de inteligência (QI). Elas foram classificadas cognitivamente como de baixo funcionamento, dentro da normalidade e de alto funcionamento. Como havia apenas duas meninas entre as 250 crianças atendidas no IFF, o trabalho contemplou somente os meninos. Todos possuíam o desenvolvimento da linguagem relativamente normal e um quadro geral considerado melhor.

"Nós tentamos purificar ao máximo a amostra, descartando crianças que possuíam sintomas que não eram específicos do autismo, como o retardo mental grave, a epilepsia e o distúrbio de linguagem. Outros estudos que não fizeram esse recorte acabaram ficando comprometidos, porque resultaram em uma baixa atividade do hemisfério esquerdo, relacionado com o desenvolvimento da linguagem, por exemplo. E não há como saber se o resultado foi por conta do autismo ou por conta da falha na linguagem", conta o pesquisador.

Os pesquisadores analisaram o cérebro dos pacientes em repouso e não encontraram alterações significativas. Somente depois da estimulação por meio da luz, feita em diferentes freqüências, é que as anomalias apareceram. As respostas a essa estimulação foram comparadas com as obtidas por 16 crianças normais da mesma faixa etária. Na área occipital do cérebro (ligada à visão) os resultados apresentados nas diferentes freqüências foram combinados para montar um perfil individual de recrutamento. Nas crianças autistas, a ativação por recrutamento no hemisfério direito (ligado às emoções e às relações sociais) foi menor do que nas crianças normais.

Os resultados obtidos na pesquisa só haviam sido registrados pela literatura médica a partir de exames de imagem (tomografia computadorizada e ressonância magnética). Esses exames possuem um elevado custo, girando em torno de R$ 600. Já o custo médio do eletroencefalograma é de R$ 60, a tecnologia é simples e não necessita de anestesia. Se for confirmado um padrão de recrutamento específico para o autismo, o exame de freqüência poderá ser usado no diagnóstico da doença.

Mas ainda é cedo para comemorar. "É preciso desenvolver um estudo utilizando uma amostra maior, incluindo ambos os sexos e fazendo um perfil das outras áreas cerebrais, além de comparar os resultados com os obtidos em outras doenças mentais, para classificar o que é próprio do autista", diz Pontes.

Segundo Pontes, o autismo não pode ser encarado como uma raridade. A prevalência da doença é de um caso a cada mil habitantes, o que a torna relativamente freqüente. O pesquisador trabalha com a definição de autismo utilizada na Academia Americana de Neurologia e pelo Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais (DSM IV), que caracteriza a enfermidade por prejuízos nas habilidades de interação social, comunicação, comportamentos repetitivos, interesses e atividades restritas.

"O espectro de autismo viria das formas mais leves até as gravíssimas. Os autistas não têm pragmática, uso social da linguagem. Não dá para manter um diálogo com eles porque lhes falta a intersubjetividade de perceber o outro. Esses são aspectos sócio-emocionais relacionados ao hemisfério direito do cérebro. Além disso, 75% dos pacientes têm retardo mental", explica o pesquisador.


Abril/2005

9 de dezembro de 2011

Como pensa e se sente uma criança com Autismo de Alto Funcionamento

- Eu posso estar concentrado nos meus pensamentos e não ouvir alguém chamar ou falar comigo
- Um determinado sabor pode ser ótimo para toda a gente, e para mim ser de vômito
- O mesmo acontece com alguns cheiros. O melhor perfume do mundo pode fazer-me sentir a sufocar. O cheiro do tabaco pode ser completamente insuportável.
- Às vezes os ruídos são para mim ensurdecedores e eu tenho de tapar os ouvidos ou fugir.
- Eu tenho determinados rituais ou "manias", que tenho de seguir escrupulosamente, para ficar calmo e relaxado. Mas às vezes fico frustrado pois ocupam-me muito tempo.
- Às vezes fico assustado se vejo muitas pessoas à minha volta ou alguém que desconheço. Nem sequer quero olhar para eles ou falar com eles, quero ser invisível. Tenho dificuldade em pedir coisas nas lojas ou em falar com o empregado do restaurante. Fico muito envergonhado e um pouco assustado.
- Eu não consigo perceber o que estás a sentir quando olho para ti. Tenho dificuldade em perceber a linguagem corporal a não ser que estejas a chorar, rir ou a gritar muito alto.
- A maior parte das vezes não gosto que me toquem. Prefiro que não me dêem abraços mas adoro que alguém conhecido me coce as costas. Não gosto muito de cortar e lavar o cabelo e detesto que me cortem as unhas.
- Não entendo as palavras com duplo sentido. Também não percebo as anedotas.
-Tenho consciência que sou diferente, que não consigo fazer com facilidade o que os outros fazem e isso deixa-me nervoso e frustrado. Mas não percebo a origem da minha diferença ou porque é que os outros me gozam.
- Eu gosto de conhecer novas pessoas e falar-lhes, mas não sei como. Elas assustam-me. Leva-me algum tempo a ficar confortável com alguém.
- Não percebo porque é que o meu professor diz que eu me porto mal . eu esforço-me por fazer o meu trabalho mas não percebo muitas coisas e não mas explicam correctamente. Mas se me sentam no fundo da sala ainda é pior porque ou fico a sonhar acordado ou me distraio facilmente.
-. Algumas roupas são tão desconfortáveis que não consigo vesti-las.
- Prefiro ficar em casa a jogar Playstation ou ver televisão do que ir ao parque.
- No recreio não me importo de brincar sozinho
 

7 de dezembro de 2011

Matéria - "Vivendo num mundo especial"

Ariane Azeredo - Revista enfoque
 
Continuando a série sobre doenças e síndromes que acometem crianças, Enfoque foi investigar o autismo, já que na edição passada, a atenção estava voltada para a Síndrome de Down. O objetivo desta série é trazer esclarecimentos sobre o desconhecido mundo de algumas doenças congênitas e de desenvolvimento, e como a família interage com essa realidade.
O autismo é um transtorno de desenvolvimento em que a criança apresenta limitações de relacionamento e comunicação. O termo autismo vem do grego “autos”, que significa “de si mesmo”. Literalmente, a criança autista vive num mundo que só pertence a ela, sem existência de interação. O primeiro a nomear o distúrbio foi o psiquiatra americano Leo Kanner que, em 1943, descreveu um grupo de onze casos clínicos de crianças, em uma publicação intitulada “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo” (Autistic Disturbances of Affective Contact).

UMA INCÓGNITA PARA A MEDICINA
O autismo tem sido um verdadeiro mistério para a Ciência. Suas causas ainda não foram bem definidas. O que se sabe é que podem estar associadas a fatores genéticos e problemas no pós-parto, mas não há certeza. Segundo a neuropediatra da Clínica de Neurologia Professor Fernando Pompeu, Carla Gikovate, as pesquisas atuais afirmam que o autismo é causado por problemas biológicos que acarretariam a falta de determinados sistemas neurológicos. Por isso é também chamado de enfermidade do contato e da comunicação.
De acordo com dados divulgados pelo Centro de Reabilitação Yokohama (Japão), a incidência de autismo é de 97 a 161 casos a cada 10 mil crianças. O principal sintoma é a falta de contato emocional e interpessoal, além de isolamento. Autistas têm manias repetitivas e motoras, como ficar jogando com objetos ou fazendo movimentos com os membros ou troncos. Outra característica facilmente identificada é a ecolalia (repetição de palavras e frases).
Dra. Carla informou também que o autismo ocorre em graus variados: “O grau mais leve é chamado de Síndrome de Asperger. Dizem que Mozart era portador dessa síndrome e, recentemente, uma matéria da Time afirmou que o milionário Bill Gates também sofre deste transtorno”, declara. Ainda segundo explicações da neuropediatra, o autismo pode causar retardo mental, podendo afetar a fala (autismo não verbal). Fora isso, nenhum outro distúrbio físico é causado.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
Para detectar o transtorno, a criança precisa ser minuciosamente examinada, tanto física, quanto psico-neurologicamente. Apesar desta avaliação, o diagnóstico continua sendo predominantemente clínico e baseado em duas publicações internacionais. Uma é o Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais (DSM-IV), da Associação Psiquiátrica Americana; e a outra é a Classificação Internacional de Doenças (CID-10), publicada pela Organização Mundial de Saúde.

A dedicação da família em prol da melhora de Daniel Sayão, de 9 anos, proporcionou à criança estudar numa escola normal e ainda aprender inglês
O tratamento mais adequado é aquele baseado em medidas comportamentais a fim de reduzir os procedimentos inadequados e melhorar a comunicação, de acordo com orientações da Dra. Carla. Uma equipe multidisciplinar nas áreas de Fonoaudiologia, Psicologia, Educação Física, Musicoterapia e Psicopedagogia oferecerá ao paciente a possibilidade de desenvolver comunicação verbal, integração social, alfabetização e outras habilidades, podendo até levar uma vida normal. “Cerca de 15% das crianças autistas, quando estimuladas adequadamente, conseguem uma recuperação social na idade adulta que os permite viver com certa independência assistida, estudar e trabalhar”, revela a médica.

PAIS QUE FAZEM A DIFERENÇA
Sylvia da Costa Orazem é capitão-de-fragata da Marinha e mãe de Mathias, um menino autista de 14 anos. A militar é ainda psicomotricista e mestre em Educação. Por conta da experiência adquirida no tratamento do filho, ela criou, há quatro anos, um programa de assistência a pacientes especiais filhos de militares da Marinha. Ali, é oferecido estímulo terapêutico às crianças com diversos tipos de deficiência e transtornos, inclusive autismo, além de apoio psicológico aos pais.

Sylvia Orazem, mãe de Mathias: “Deus escolhe a mãe do paciente especial. O amor de Deus está muito acima da nossa possível dor. Não vejo meu filho como uma cruz, mas como um anjo”
A mamãe Sylvia, membro da Igreja Batista, contou que foi muito difícil saber que tinha um filho autista, mas que sua esperança foi a Palavra de Deus. Mathias é um autista não verbal, ou seja, não fala, tendo apenas balbuciado algumas palavras quando era bebê. Hoje, ela considera uma missão ter tido um filho autista: “Deus escolhe a mãe do paciente especial. Se Deus não tivesse me dado um filho especial, eu nunca teria descoberto minha missão e não poderia ajudar tantas pessoas. O amor de Deus está muito acima da nossa possível dor. Não vejo meu filho como uma cruz, mas como um anjo”.
Iranice do Nascimento é outra mãe, que após 12 anos cuidando de Paulo Igor, decidiu se dedicar a outras crianças autistas. Ela é presidente da Instituição Mão Amiga, que auxilia crianças autistas carentes. A entidade fica no bairro da Pavuna, no Rio de Janeiro, e atende atualmente 14 crianças numa sala cedida por uma igreja católica. “Com um custo mensal de 70 reais, uma equipe presta atendimento pedagógico duas vezes por semana”, informou. Sobre a convivência com Paulo Igor, Iranice afirma que “se tornou fácil depois de descobrirmos o transtorno. Mas ainda há muitas situações inusitadas que passamos com ele na rua”. Ela ressaltou ainda que é preciso muito amor, paciência e carinho, além de um acompanhamento adequado.
“Deus não diz que nos livraria das dificuldades e sim que conseguiríamos conviver com elas. A experiência tem sido boa, apesar de dolorida, mas é preciso manter a calma”. A afirmação é do pastor e professor Luiz Sayão, pai de Daniel, uma criança autista de nove anos. O pequeno tem autismo leve, a Síndrome de Asperger. Um dos responsáveis pelo desenvolvimento de Daniel, que hoje fala Português e Inglês e estuda em colégio normal, foi o próprio pai. “Fui atrás de esclarecimento, e hoje conseguimos tirar ele da concha. Eu mesmo fazia estimulações nele, fazendo com que reagisse ao mundo exterior”. Sayão recomenda que os pais encarem a situação de frente, admitindo o problema do filho, pois quanto mais cedo detectado, melhor será o desenvolvimento da criança.

AMA: ESFORÇO PELA INTEGRAÇÃO DO AUTISTA
A mais conhecida e pioneira instituição de apoio ao autista é a Associação de Amigos do Autista (AMA), criada em 1983 por pais de pessoas com autismo. A AMA atende em duas unidades, ambas na cidade de São Paulo: no Sítio Nova Esperança, que fica no bairro de Parelheiros, e no Centro de Reabilitação Infantil, que fica no bairro do Cambuci. Lá, as crianças são assistidas em tratamentos baseados em métodos pedagógicos e terapêuticos modernos. Além disso, são oferecidos cursos para qualificar voluntários para a instituição. Informações: (11) 3272-8822 e (11) 5920-8018.

CONHEÇA MAIS SINTOMAS
Esses são alguns sintomas do autismo, segundo a Autism Society of American (ASA): dificuldade de relacionamento, riso inapropriado, preferência pela solidão; modos arredios, fixação e rotação de objetos, hiperatividade ou inatividade, ecolalia (repetição de palavras ou frases). Eles também podem permanecer imóveis durante um tempo prolongado, praticar atos rituais, caminhar rígido ou em círculos, com os braços apertados sobre o corpo, e manifestar obsessão por uma atividade.

AUTISTAS PODEM SER GÊNIOS?
“A diferença entre o autista de bom rendimento e o gênio é muito pouco precisa”. A afirmação é do neuropediatra José Salomão Schwartzman, professor titular de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele afirma que é muito provável que Mozart e Santos Dumont fossem portadores dos transtornos causados pelo autismo. “Mozart tinha um distúrbio e compôs a primeira obra importante aos cinco anos, o que é maravilhoso, mas anormal. Além disso, tinha enormes dificuldades de relacionamento. Seu casamento foi um desastre e seu comportamento era absolutamente inadequado. Santos Dumont era um indivíduo isolado, com pouquíssimo relacionamento social e, como a maioria dos autistas, vestia sempre o mesmo tipo de roupa.”
Um artigo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine, uma das mais prestigiadas revistas científicas da Inglaterra, também afirmou que Albert Einstein e Isaac Newton eram autistas. De acordo com a matéria, Newton, que descobriu a lei da gravidade, era um sujeito distante, de poucas palavras, e freqüentemente tinha acessos de mau humor. Além disso, era desleixado com a aparência e tinha a mania de escrever até vinte vezes os seus estudos, sem fazer quase nenhuma alteração de uma cópia para outra.
No caso de Einstein, que formulou a teoria da relatividade, os sintomas também seriam típicos. Quando criança, ele costumava repetir a mesma frase durante horas e estava sempre sozinho. A hipótese de ele e Newton sofrerem da doença não diminui em nada a genialidade de ambos.

Syndion - Tratamento de autismo

Você tem uma criança que?

  • É um comedor picky?

  • Tem necessidades nutricionais especiais?

  • Tem problemas de desenvolvimento, gastrointestinal ou de comportamento
    que limitam as escolhas alimentares ampla?

                                        
Cuidar de uma criança ou adulto com necessidades nutricionais especiais e de desenvolvimento é uma responsabilidade significativa, como é escolher o melhor produto multivitamínico para suplementar sua dieta. Se seu filho tem problemas digestivos ou problemas intestinais, podem não estar absorvendo os nutrientes solúveis em gordura, mesmo se você pegá-los em seu corpo! Syndion pode ser capaz de ajudar.
Syndion é cientificamente concebida para crianças e adultos com necessidades nutricionais especiais e de desenvolvimento. Sua única microesfera tecnologia auxilia na absorção de micronutrientes e vitaminas, e Syndion tem mostrado melhora biomédica com um perfil de segurança documentadas num estudo clínico.

 O estudo biomédico clínico descobriu que Syndion:

  • Neurotransmissor níveis de melhora *
  • Normaliza a glutationa * status
  • * Melhora a vias de metilação
  • * Melhora caminhos transulfuração
  • * Melhora a vias de desintoxicação
  • Normaliza os níveis de plasma ATP *
  • * Reduz o estresse oxidativo
  • Forma segura e eficaz aumenta os níveis de gordura solúvel em nutrientes e antioxidantes *

Syndion é suportada por um estudo clínico com um perfil de segurança documentada.


 

6 de dezembro de 2011

Temple Grandin, a autista Ph.D

Temple nasceu autista, coisa que na época ninguém conhecia muito bem. Seu jeito peculiar de pensar e seu comportamento antissocial e agressivo eram mal vistos por professores e colegas de escola na infância. Frequentemente brigava com outras crianças. Ela tinha dificuldade de aprender certas coisas, porque as coisas para ela seguiam uma lógica particular. A única coisa que podia deixar Temple mais calma era um abraço forte, mas ela não conseguia dizer isso nem a sua mãe.
A necessidade inexpressa de ser abraçada deu a ela uma ideia fixa: ela tinha de construir a máquina do abraço. Dona de uma habilidade espetacular de visualizar formas que nunca tinha visto (Temple diz sempre que o autista pensa em imagens), ainda adolescente ela começou a projetar em sua mente um equipamento que fosse capaz de apertá-la até o alívio de suas tensões. E não sossegaria até pôr sua ideia em prática. “As fixações podem ser canalizadas para fins construtivos. Remover a fixação pode ser uma imprudência”, diz Temple em sua autobiografia Uma menina Estranha (Cia. das Letras, 1999).
Sem conhecimento técnico prévio, Temple desconfiou que o brete, um aparelho usado no manejo de gado, pudesse ser adaptado para ela. O brete era um aparelho rústico que, apertado ao corpo do animal, mantinha-o calmo antes do abate. Temple sabia que era disso que precisava. Então resolveu testar. Entrou no aparelho como se fosse um boi, puxou suas cordas e sentiu um alívio que desejara por anos. A partir daí, com o apoio de um professor no colégio rural em que estudava, Temple dedicou-se ao estudo do bem-estar animal, e também ao seu próprio. Anos mais tarde, após vários cursos superiores, tornou-se uma das maiores especialistas em abate humanitário, e também uma grande entenderora do autismo. “Paradoxalmente, era no matadouro que eu estava aprendendo a dar afeto”, escreveu Temple.
O filme conta toda essa história e ainda mostra como Temple via a realidade e as imagens em sua mente. A bela atriz Claire Danes ficou irreconhecível para encarnar Temple na telinha, mas, segundo a própria senhora Temple, que deu entrevistas direto do tapete vermelho no dia da premiação, ficou idêntica à original. Ainda não assisti, mas recomendo pela tremenda lição que Temple nos oferece sobre as riquezas que podem existir mesmo onde não estamos acostumados a enxergá-las.

(por Francine Lima)
 
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