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6 de fevereiro de 2011

O método SON-RISE

O Método Son-Rise

O método Son-Rise tem como base a relação interpessoal, uma vez que a dificuldade nesta área é característica de pessoas com autismo. Este método foi criado na década de 70, em decorrência da experiência que Bears e Samahria Kaufman tiveram com o filho, Raun Kaufman, diagnosticado com autismo severo. Eles ficaram com o filho 12 horas por dia, 7 dias por semana, no cômodo com menos estimulação da casa, o banheiro, repetindo os rituais de comportamento. Após quatro meses, exames o caracterizaram como uma criança típica, mas, ainda assim, eles mantiveram o trabalho com o filho por mais dois anos, para certificarem-se de sua cura.
A chave do tratamento foi juntar-se a criança em seus comportamentos repetitivos mostrando amor incondicional por ela e, lentamente, convidando-a a sair de seu mundo através das próprias motivações que ela apresentava (SICILE-KIRA, 2004).
Não se trata de um método fácil, pois este não apresenta técnicas para serem aplicadas com a criança. Na verdade, é uma maneira de se relacionar com ela que parte de alguns princípios que têm a finalidade aumentar o contato visual, a comunicação, interação e atenção. São eles:

• buscar dicas da criança sobre temas de que ela goste e ajudá-la a desenvolver e construir seus talentos, habilidades e interesses. Isto é, deixar que ela guie o processo, descubra e explore a si mesma no mundo, de modo que ela se torne o professor, e, com isso, sinta-se mais motivada a explorar e se desenvolver (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• ter em mente que as habilidades específicas agora são menos importantes do que a do impacto de longo percurso de encorajamento a uma criança participativa e motivada (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• celebrar cada tentativa de interação, mesmo se for pequena (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• não julgar os comportamentos da criança (bom/ruim, certo/errado), pensar que ela está fazendo o melhor que ela pode, da maneira que ela consegue fazer (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• ser extremamente flexível; se a criança mover-se em outra direção, diferente daquela em que estávamos com ela, deixe de fazer o que estava fazendo e junte-se a ela (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• estar presente de corpo e mente, ficando a vontade, sendo criativo, divertido e disponível (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• usar os três E?s: Energia, Excitação (emoção), Entusiasmo (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998);
• não pedir/solicitar nada enquanto estiver focado na vinculação, pois o foco de interesse é estar com o outro e conhecê-lo (KAUFMAN, Decision making in the playroom);
• aceitar os comportamentos chorar e reclamar, mas não deixar que sejam percebidos pela criança como uma forma de conseguir coisas e mover pessoas. Para isto, é necessário ter um comportamento neutro, dizendo, por exemplo, que não entende o motivo de ela estar se comportando daquela maneira.
O tratamento deverá ser realizado em um ambiente com baixa estimulação sensorial, estando presente no momento apenas um adulto e a criança. Os brinquedos devem ficar em prateleiras para diminuir a distração e estimulação, e devem preencher os critérios: a) durabilidade, resistentes para não quebrar, amassar ou mastigar; b) não devem funcionar como distração, tendo cores chamativas, luzes ou fazerem barulho; c) devem encorajar a interação. Eles pode ser: fantasias, instrumentos musicais, jogos imaginativos(fantoches, blocos), livros, jogos de tabuleiro, quebra-cabeças, bolha de sabão, bola (KAUFMAN e KAUFMAN, 1998).
A participação dos pais no tratamento é bastante importante, de acordo com os Kaufman, pois eles possuem uma posição única na vida da criança. Entretanto, há muitos profissionais familiarizados com o método e que podem auxiliar neste processo realizando atendimentos domiciliares.
Luisa Guirado é terapeuta da Equipe Novo Olhar

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