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6 de dezembro de 2012

A importância da inclusão escolar

Segue abaixo uma experiência de inclusão escolar muito motivadora... Ontem, o professor estagiário de Português do Colégio Serravalle deu uma prova em dupla - e colocou o colega Edelvan para trabalhar com Gabriel. A principal questão era de ortografia, em que Gabriel é fera. Orientei Edelvan , a pedir a Gabriel que soletrasse cada palavra e a não permitir que Gabriel as visse, pois a questão pedia para escolher as que foram escritas erradamente. Se ele as visse, ia se confundir e soletrar do jeito que estava lendo. Uma a uma, Gabriel soletrou, e Edelvan comparou com o que estava escrito, marcando a que não condizia com o que Gabriel soletrava. Gabriel errou, apenas, a palavra "muxoxo", que ele não conhece. Deixei que eles errassem, afinal, a prova era deles. Engraçado é que Gabriel soletrava alto e Mailza e Gerlânia "colaram" as respostas do Gabriel. O professor corrigiu na hora e, quando marcou o erro de Gabriel na prova das meninas, Maílza reclamou: -"Ah, mas eu fiz do jeito que Gabriel disse!" A segunda questão era mais complicada, pois pedia para escolher entre mau com "U" e mal com "L" - o que depende do contexto da frase. Ainda que Gabriel entenda o significado do que lê, ele não conseguiu discernir qual palavra seria a correta nesse caso. Vejam na foto. Edelvan usava o livro de História para encobrir a prova. Reparem, também, que Gabriel ficou com suas bolinhas na mão, para suas estereotipias. Nós não as inibimos. Hoje, ele consegue largar os objetos que usa para fazê-las, quando precisa usar as mãos para comer, desenhar, escalar a corda indiana ou subir no trapéio do Circo, por exemplo. O mais importante é que Gabriel, mesmo irritado, mesmo querendo sair da sala, entendeu que a "regra" era ficar ali durante o teste, com o colega. Como Mariene e eu dizemos, "socialização" é masi do que fazer amigos no clube. É aprender regras, aprender a assumir responsabilidades, a compartilahr experiências, a ser solidário, trabalhar em grupo... Coisas que não se aprendem simplesmente brincando no clube, praça ou playground, e que vão muito além de aprender o "conteúdo" - coisa que, hoje em dia, se consegue na internet. Por isso insistimos que é tão importante a frequência na escola regular. Essas coisas dificilmente se aprenderão na escola "especial". -- Geólogo Argemiro Garcia Salvador - Bahia Secretário da AFAGA Associação de Familiares e Amigos da Gente Autista Secretário da ABRAÇA Associação BRasileira para AÇão por direitos das pessoas com Autismo

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